Por que vim para Adaptworks?

Algumas semanas atrás estava conversando com o Alexandre Magno a respeito do evento Agile Brazil que acontecerá em junho, após um bate-papo bacana ele me disse algo que nunca tinha pensado antes e que ficou marcado: “…palestras boas são aquelas feitas por pessoas que tem história pra contar…” pensando nisso resolvi criar um post contando um pouco da minha trajetória.

Confesso que já cheguei a pensar que algumas vezes fiz más escolhas, e já me senti um idiota por ter ficado tanto tempo em determinadas empresas, mas logo vejo que isso me trouxe até a Adaptworks, por isso não tem como me arrepender das escolhas que fiz no passado. Sendo sincero, não tenho muito conteúdo pra falar sobre meu currículo, a não ser um período que talvez pudesse ter refletido em vários aspectos, a época em que era um “estagiário”.
Passei o ano de 2003 inteiro fazendo entrevistas e só consegui um estágio em 2004, nem preciso falar a alegria que senti naquele dia, sempre procurava matérias a respeito de estágios, como ser um estagiário de sucesso e blá blá blá. Ser estagiário era muito animador, pois toda programação era voltada para uma ferramenta comercial e não para exercícios propostos na faculdade, mesmo defendendo o rótulo de estagiário já me passaram responsabilidades desde o primeiro dia de trabalho, e caso fizesse alguma coisa de errado eu não levava uma nota baixa, e sim uma provável demissão e rompimento do contrato.
Meu dia-a-dia como um mero estagiário era +- assim:

  • não participava de reuniões de planejamento
  • as tarefas já chegavam com prazo de entrega
  • só me passavam tarefas simples (alterar estilo, criar form de cadastro, mudar endereço da empresa…)
  • não tinha voz ativa

Eu só tinha oportunidade de tentar inovar ou pegar alguma tarefa mais difícil quando eu persistia muito, ou quando eu fazia “escondido” e mostrava pro chefe depois de pronto, muito ruim concordam? infelizmente essa era a cultura da empresa que trabalhei por um bom tempo. Hoje me pergunto: “como seria essa fase de estagiário se usassemos scrum? teria sido melhor/pior?”, acredito que seria melhor e vou explicar o que me levou a chegar nessa conclusão.

Planning
Em um planning não importa se você é um programador experiente ou não, todos tem voz ativa, todos podem opinar e o que for decidido será o melhor para o time. Essa é a hora de ouvir todos os pontos de vistas, entender que nem todos tem capacidade de terminar uma task tão rápido e incentivar os demais.

Kanban
A vantagem do uso do kanban é que com ele não existe delegação de tarefas, pois ninguém pode decidir o que você deve fazer, cada membro do time pode pegar a tarefa que desejar.

Essa semana tive a oportunidade de ler o livro “Liderança Radical” do Steve Farber (muito bom por sinal) e achei que alguns aspectos sobre liderança tinha tudo a ver com programação, pra ser mais preciso sobre evolução. Farber cita que liderança é uma posição nada confortável, pois o líder sempre esta exposto aos demais. Com programação é parecido, só se sente confortável o programador que está contente em seu mundinho, estagnado pelo que sabe e pouco se importa em inovar ou arriscar, a famosa “zona de conforto” onde a pessoa fica lá, quetinha no seu canto, fazendo sempre a mesma coisa e segura de que isso vai lhe trazer os melhores benefícios em sua vida, essa é a falsa sensação que traz o sentimento de “segurança” no cenário do trabalho, na verdade você deixa de crescer e a partir do momento que você se permite olhar para fora da caixa, ferrou, porque você vai gostar do que vai ver, vai cair pra fora dela e duvido que vá querer voltar um dia pra dentro dela.
Quando pegamos uma task do kanban, estamos de um modo indireto deixando claro que estou responsável por aquela task e que pretendo e vou tentar terminar no prazo estipulado por todos no planning, quer exposição maior do que essa? Ok, posso estar exagerando, mas de certa forma é um tipo de exposição e uma boa forma de tentar aprender algo de novo.
O que quero dizer é que com planning, kanban, daily meetings…minha fase de estagiário provavelmente seria melhor, teria a chance de participar das reuniões de planejamento, ajudaria a decidir os prazos além de ter a chance de pegar qualquer task que desejasse, não precisaria implorar por pegar tarefas simples e nem fazer nada escondido.
Talvez fosse diferente se tivesse começado a estagiar em outra empresa, mas como disse lá no começo, essa é a minha história.

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