A Pressão dos Pares e o Conformismo

A pressão dos pares

No livro “The Influencer: The Power to Change Anything“, os autores alertam que “quando se está buscando ferramentas para influenciar as pessoas que tenham um impacto profundo e persistente nos problemas, nenhum recurso é mais poderoso e acessível do que a persuasão das pessoas que compõem nossas redes sociais. Os elogios e as zombarias, a aceitação e a rejeição de nossos colegas podem fazer mais para ajudar ou destruir um esforço de mudança do que quase todos os outros recursos. Líderes inteligentes sabem usar esse maravilhoso poder que seres humanos tem sobre outros, e ao invés de negar, lamentar, ou atacar, eles abraçam a idéia e a utilizam.

Segundo a Wikipedia[4], Peer pressure se refere à influencia exercida por um grupo em que incentiva uma pessoa a mudar suas atitudes ou comportamento para entrar em conformidade com as normas do grupo.

Jurgen Appelo diz que quando se fala em peer pressure (pressão de pares) ou social pressure (pressão social), nos lembramos de problemas sociais como uso de drogas, álcool, cigarros, etc., e que automaticamente se dá uma conotação negativa. “Peer pressure, não é necessariamente algo ruim, pode estar relacionado com grupos de pessoas motivando umas as outras a fazer algo positivo” [2], afirma. Pode ser também aplicado a esportes, melhor qualidade no trabalho, ou a qualquer outra atividade.

De um ponto de vista sistêmico, peer pressure é um feedback loop positivo. Para Appelo, quanto mais um grupo, exibir determinado tipo de comportamento, mais os outros membros do grupo sentirão-se pressionados a adotar o mesmo comportamento, e antes que você possa notar todos estarão fazendo exatamente a mesma coisa.

Pode se tratar de uma prática de desenvolvimento de software, como Test Driven Development (TDD), ou a utilização de uma ferramenta, o hábito de estudar, o hábito de estar atualizado em relação à uma determinada área de conhecimento, etc.

Appelo ressalta que há condições para que a pressão social se instale e produza resultados positivos em uma equipe:

  1. As pessoas precisam sentir-se parte do grupo.
  2. O grupo deve ter um objetivo e responsabilidade  (por atingir o objetivo) compartilhada.
  3. auto-organização tem um papel fundamental.

Outra teoria que nos prova a influência das atitudes do coletivo no individual é o conformismo.

Conformismo

O psicólogo Solomon Asch realizou um experimento que ficou conhecido como o Experimento de Ash. Foram contratados diversos autores, que junto com uma pessoa que estava sendo testada passavam por um suposto teste de visão. A conclusão do experimento foi que as pessoas assumem a opinião do grupo mesmo mesmo que sejam capazes de identificar o erro, e que  obviamente a resposta do grupo esteja errada.

Veja o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=U2a2dMsO3Wk&feature=related

Segundo a Wikipedia [3], Conformidade é a condição de alguém ou grupo de pessoas, estar conforme (do lat., com- “junto” + formare “formar”, “dar forma” = com a mesma forma) o pretendido ou previamente estabelecido. Quando a conformidade se dá por submissão, consciente ou inconsciente, é usual dizer-se que ocorreu uma situação de conformismo. Quando um indivíduo ou um grupo reclama ou reage à submissão, não se conformando a crenças ou comportamentos, ocorre o que usualmente se chama de inconformismo.

De acordo com o Psicólogo Social Mucchielli, o conformismo é a atitude social que consiste em se submeter às opiniões, regras, normas, e modelos que representam a mentalidade coletiva ou o sistema de valores do grupo ao qual uma pessoa pode aderir afim de ser tornar parte do grupo.

O Poder da Autoridade

O Psicologo Stanley Milgram desenvolveu a Experiência de Milgram. Milgram fez um estudo sobre como as pessoas tendem a obedecer às autoridades, mesmo que estas contradigam o bom-senso individual. A experiência pretendia inicialmente explicar os crimes inumanos do tempo do Nazismo.

Milgram conseguiu provar com sua experiência que as pessoas de fato podem contradizer o que acreditam ser certo para obedecer uma autoridade, mesmo que obedecer à autoridade possa significar machucar ou até mesmo levar uma outra pessoa a morte, e ainda que a recompensa para realizar esse trabalho seja não mais do que cinco dólares.

Veja mais detalhes sobre a experiência no vídeo:

Além destas tristes constatações, em suas experiências, Milgram também conseguiu constatar que a presença de mais uma pessoa, além da autoridade,  muda o comportamento daquela devido à sua influência [1], ou seja, a pessoa toma uma decisão diferente por observar os valores da outra pessoa além dos próprios.

Quando um indivíduo respeitado tenta um comportamento e é bem sucedido, consegue motivar as outras pessoas a fazerem o mesmo. Em outras palavras, a influência pelo exemplo realmente funciona (mas apenas se for de fato respeitado pelos outros) [1].

Desafios

  • De que forma você pode aproveitar a pressão social, para trazer resultados positivos ao sua equipe?
  • Como você pode influenciar as pessoas a serem “mais ágeis”?
  • Você está sendo conformista, ou está de fato, agindo como pensador crítico questionando as coisas?

Referências

[1] Livro The Influencer: The Power to Change Anything

[2] Livro Management 3.0 por Jurgen Appelo

[3] Wikipedia – Conformidade

[4] Wikipedia – Peer Pressure

[5] Wikipedia – Experiência de Milgram

André Faria

André Faria Gomes é Sócio-Diretor de Produtos e Tecnologia na Bluesoft em São Paulo e Associated Trainer na Adaptworks. Bacharel em Sistemas de Informação pela FIAP, Black Belt em Lean Seis Sigma pela Fundação Vanzolini, e Management 3.0 Licensed Trainer. O foco principal de seu trabalho é no desenvolvimento de software, atuando na liderança de equipes, no coaching de métodos ágeis, e no desenvolvimento de produtos para a Internet em diversas linguagens e plataformas.

4 Comments

  1. Muito bom o texto. Na minha opinião, tem a dose certa de conteúdo!

    Compartilhando nossa experiência, aqui em Salvador criamos um curso que tenta fazer as pessoas se questionarem mais, abordando justamente questões como conformismo, poder da autoridade e tirania da maioria. A partir destes questionamentos, elas começam a perceber a necessidade de adotarem posturas diferentes, como por exemplo, posturas mais compatíveis com a cultura ágil.

    Processos por processos, sem mudanças comportamentais efetivas, na minha opinião, não rola! 🙂

    Parabéns novamente!

  2. Muito interessante.
    Isso mostra o quanto o ser humano pode ser influenciável.
    Principalmente quando está em “bando”. Se deixa levar pela opinião e atitude das outras pessoas.

  3. Grande Rafael Miranda,

    Quando estive palestrando no Maré de Agilidade aí em Salvador notei o quanto vocês estão fortes e unidos como comunidade e que estão em busca de tornarem cada vez melhores, reunindo pessoas de diversas outras comunidades no Linguágil.

    Vocês estão de Parabéns. Espero revê-los em breve.

    Muito obrigado pelo Comentário e Feedback.

  4. @BrunoLui, Exatamente!

    Isso me fez lembrar de um ditado que diz: “A Massa é Burra”. É possível observar comportamentos muito questionáveis quando as pessoas estão “em bando”. Basta ler notícias sobre ocorrências em Jogos de Futebol, Shows, Rodeios, etc.

    Facilmente perde-se os valores e o pensamento crítico individual em um pensamento coletivo que muitas vezes anula os valores pessoais, e outra vezes até os contradizem.

    Obrigado pelo Comentário e Feedback.

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