Déficit de adaptabilidade – Uma questão de ordem para as organizações

Estamos compreendendo cada vez melhor que as organizações são sistemas  complexos e imprevisíveis. Também estamos testemunhando uma dinâmica de funcionamento organizacional que estimula cada vez mais o  aumento da “feedbackabilidade” (taxa de feedback) das interações dos indivíduos que fazem parte do sistema organizacional. Com todo esse cenário dinâmico, imprevisível e  de grande necessidade de aprendizado (e desaprendizados), temos uma única certeza: Temos que desenvolver uma forte habilidade de adaptação em nossa sociedade de maneira geral.

Contudo, a necessidade de ter essa habilidade de adaptação é negligenciada ou, pouco praticada, por muitos de nós. A essa negligência ou falta de prática podemos chamar de déficit de adaptabilidade. Ter adaptabilidade pressupõe que continuamente temos a habilidade de desconstruir alguma “coisa” que já estava ordenada. E essa desconstrução acontece para que uma “coisa” nova seja ordenada.

O processo de desconstrução poderá acontecer de forma evolutiva(gradual) ou totalmente radical. Mas, independentemente da forma que essa desconstrução acontece, o déficit existe pois muitas pessoas têm extrema dificuldade em desconstruir o que já estava ordenado. Sendo assim, a negação da necessidade de desconstruir (mesmo que minimamente) é o que faz as pessoas evitarem qualquer iniciativa ou necessidade de mudar.

O X da questão é que mesmo reconhecendo a necessidade de fazer grandes ou pequenas mudanças, nós buscamos criar ambientes ordenados para nossas vidas (em várias dimensões). Por isso, entramos numa espécie de impasse onde precisamos de facilidade para mudar, mas criamos todos os instrumentos necessários para resistir àquela mudança. E isso é potencializado pelo fato de que para manter a ordem  nós evitamos, ou diminuímos, as mudanças que temos que fazer em nossas vidas/contextos. E isso aumenta ainda mais o déficit de adaptabilidade.

Mas qual seria o real problema em buscar ambientes ordenados?

A maior dificuldade em mudar não é exatamente o “medo do novo” ou, simplesmente ter que sair de uma determinada “zona de conforto”. A maior dificuldade em mudar é ter que “abrir mão do antigo”. Nosso comportamento é regido pelos nossos pensamentos. Logo, o “antigo” em questão é qualquer pensamento com o qual já estávamos habituados e que foi gerado e sustentado por uma série de ordenações de diferentes percepções do mundo em nossa volta.

Na prática, a facilidade que o nosso cérebro tem para ordenar ou para buscar ordem nas coisas, foi um recurso vital para a evolução e sobrevivência de nossa espécie. Portanto, buscar ambientes ordenados é algo muitas vezes involuntário e inerente à própria natureza humana.

A origem da busca pela ordem

Essa questão pode ser mais complexa do que pressupõe nosso pobre pensamento ordenado.  Na prática, é possível que essa nossa característica seja influência de algumas questões sociais e até econômicas que nosso mundo passou.

Um exemplo disso está em nosso dia-a-dia familiar e social. Pois de maneira geral, nossa visão de sucesso é ter certa estabilidade (ou ordem) em questões profissionais, sociais, econômicas, profissionais e familiares.

Aqui abro um parênteses para compartilhar um caso pessoal. Em minha vida já passei por diferentes tipos de mudanças. Esses ciclos algumas vezes foram curtos e algumas vezes foram bastante longos.  Algumas pessoas que me conhecem mais de perto, sabem que já passei um tempo de minha vida onde, por razões profissionais, eu migrava de cidade numa velocidade relativamente alta. Para isso acontecer, eu precisava ter um estrutura “patrimonial” extremamente leve. Além dessa estrutura “patrimonial” leve, era necessário ter uma dinâmica social de conexão com as pessoas/lugares também leve.  Com todos esses elementos, era possível realmente abrir mão do “antigo” e, partir tranquilamente para o novo.

Só que nos últimos anos, juntamente com minha família, busquei criar um ambiente ordenado. Tentei trabalhar por muito tempo numa mesma empresa, investi numa estrutura “patrimonial” e social sólida. E como era de se esperar, o resultado de toda essa ordenação foi um forte sentimento de apego a tudo isso.  O sentimento de apego em si não representa grande problema. O problema começa a aparecer quando o apego ao antigo se choca com a necessidade de ir para algo novo.  E nesse aspecto, estou passando novamente por uma eminente mudança de cidade. Logo, estou sentido na pele a “dor” gerada por ter que abrir mão de muitas dessas coisas que estavam devidamente ordenadas em minha vida e de meus familiares.

Esse caso pessoal serve para ilustrar exatamente como se constrói todo o sentimento de apego ao antigo.  O mais intrigante é ver que essa é uma tendência natural. Mais intrigante ainda é ver que é exatamente com o pensamento de construir algo ordenado que nós construímos nossas carreiras e nossas vidas.  Para algumas pessoas, a ordem é representada por uma rotina bem clara, para outros pode ser conviver com  as mesmas pessoas e/ou frequentar o mesmos lugares.

Nós, continuamente, estamos tomando pequenas ou grandes decisões de “gerenciamento de ganhos e perdas”. Toda mudança pressupõe que vamos ganhar alguma coisa. Mas ao mesmo tempo que ganhamos algo, temos muitas das vezes ter que abrir mão (perder) algo. As mudanças de sucesso são aquelas onde conseguimos fazer um trabalho eficaz  de tratamento das perdas que vão acontecer invariavelmente em todo o processo.

Tá, mas em que isso impacta as organizações?

Com base no tópico anterior, qualquer processo de mudança falha quando as pessoas ou as organizações não conseguem identificar ou tratar as perdas existentes durante o caminho. O pior de tudo é que, como estamos em ambientes complexos, identificar essa relação de ganhos e perdas nem sempre é fácil. Dessa forma, a nossa habilidade de adaptação é bastante prejudicada pela pobre compreensão das perdas necessárias à mudança.

Já estamos carecas de saber (principalmente eu) que “mudar é a única certeza que temos”.  E muitas organizações já estão sentido na pele esse déficit de adaptabilidade que seus membros possuem.  E o que é pior que essas pessoas tentam fazer  nas organizações exatamente o que todos nós tentamos fazer em nossas vidas: buscar criar um ambiente ordenado. Mas muito pior do que buscar esse ambiente ordenado, é que nós nutrimos e  fortificamos cada vez mais essa ordem. Daí, de maneira coletiva, as organizações ignoram ou tentar evitar mudanças que perturbem essa sensação de ordem ou lhes façam abrir mão (perder) de alguma coisa relacionada a ela.

Talvez a ordem para uma organização seja um processo bem definido, talvez seja ter papéis e responsabilidade bem definidos ou talvez seja ter previsibilidade e controle sobre seus gastos. O importante na verdade é entender qual a ordem que tentamos manter. Só que para uma organização, manter a ordem a qualquer custo, pode ser algo perigoso. Dessa forma, a busca por criar ou manter a ordem pode cegar a organização das oportunidades/necessidades de melhorar o seu ecossistema.

Putz, ferrou então! Como podemos sair desse círculo vicioso?

Com todo o raciocínio desenvolvido até aqui, podemos concluir então que para quebrar esse círculo vicioso e eliminar o déficit de adaptabilidade é necessário:

  1. Ter ciclos curtos de mudanças?
  2. Não se apegar em nada e assumir que tudo é efêmero?
  3. Ter uma dinâmica leve, enxuta e indefinida das interações entre as partes de uma organização?
  4. Entender ou assumir as perdas necessárias ao processo de mudança?
  5. Não buscar tanto pela ordem?
  6. Ou melhor… deixar as coisas no estado natural de desordem?

Talvez sim! Talvez esse seja realmente o caminho. Contudo, observem a dificuldade (ou até mesmo a inviabilidade) em se colocar em prática esses pensamentos. Pois como eu já falei, a ordem foi um importante recurso para o desenvolvimento/crescimento da humanidade. E para as organizações, também não é diferente. Na prática, a ordem não é totalmente ruim,  na verdade a ordem fornece um sentimento de agradável conforto. E como nos apegamos a tudo que nos é agradável, isso gera a famosa sensação de “zona de conforto”.

Obviamente, a solução não é tão simples (ou ordenada) como gostaríamos, mas se fosse possível colocar em prática apenas uma ideia para criar uma maior facilidade em mudar, ela seria a seguinte: torne-se um Complexity Thinker!

Ser um Complexity Thinker é bastante estimulado no conceito de Management 3.0  (http://blog.adaptworks.com.br/2011/09/05/voce-sabe-o-que-e-gestao-3-0). Por meio do pensamento sobre a complexidade será possível entender que as interações entre as “coisas” são incertas, que a ordem talvez seja uma ilusão ou seja algo muito passageiro em muitos contextos. É também esse pensamento que entenderemos que não conseguimos prever o efeito (ou a causa) de nossas ações e comportamentos em nossas vidas ou de nossas organizações.

Quando começarmos a compreender e aceitar essas características, talvez possamos ter uma verdadeira aceitação às mudanças necessárias no ambiente complexo em que vivemos. Na verdade, quando começarmos a assumir a complexidade e dinamismo das coisas, teremos menos apego às efêmeras sensações de ordem que temos em nossas vidas. Dessa forma, teremos um alto nível de adaptabilidade às mudanças que já estão acontecendo em nossas vidas, nossas organizações e em nosso mundo.

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AdaptWorks fecha parceria com a Rally Software líder em Ágil e amplia área de atuação

“Adaptworks irá fornecer treinamento e coaching para acelerar a adoção de métodos ágeis e uso das ferramentas Rally no Brasil”.

São Paulo, 14 de Janeiro de 2013 – A Adaptworks empresa brasileira especializada em treinamento, coaching, implementação de SCRUM e outras metodologias ágeis, fechou uma parceria com a Rally Software e irá oferecer treinamento e coaching especializado para acelerar a adoção de Agile e Rally pelas empresas.

A Rally Software, fornecedora global de soluções baseadas em nuvem para gestão de desenvolvimento de software Ágil, foi reconhecido como líder em Application Lifecycle Management (ALM) por dois institutos de pesquisa independentes: The Forrester Wave: Application Life-Cycle Management, Q4 2012” em 23 de Outubro de 2012 e Gartner “Magic Quadrant for Application Life Cycle Management” em 5 de Junho de 2012. Mais de 144 mil usuários em 115 países usam a plataforma Rally Agile ALM para alinhar o desenvolvimento de software e os objetivos estratégicos de negócios, facilitar a colaboração, aumentar a transparência e automatizar processos manuais.

 “Através da AdaptWorks oferecemos ao mercado brasileiro um extenso portfólio de serviços, que permitirá aos nossos clientes trazer inovações ao mercado mais rapidamente usando princípios Ágeis e a plataforma Rally Agile ALM”, diz Brendan Walsh, vice-presidente de estratégia internacional. “Nossos clientes em comum e as oportunidades no mercado brasileiro são um reflexo da adoção global e contínua das práticas ágeis.”

“Trata-se de uma parceria onde ambas as empresas só têm a ganhar, somamos em expertise, temos um portfólio de serviços complementar e nosso conhecimento do mercado local, clientes e canais de marketing estão alinhados com o foco e missão da Rally de servir sua base de clientes globais e ajudá-los a transformar a forma com que as empresas gerenciam o ciclo de vida de desenvolvimento de software.”, analisa Alexandre Magno, sócio-fundador e diretor da Adaptworks.

Rally Software e AdaptWorks estão planejando uma série de eventos no Brasil, já iniciando no mês de março com uma série de Webinars sobre métodos ágeis e a plataforma Rally Agile ALM. As inscrições estarão abertas em breve no sitehttp://www.rallydev.com/br. Os interessados em conhecer mais sobre métodos ágeis e a solução Rally Agile ALM podem entrar em contato através do site: www.adaptworks.com.br

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Entendendo nossas motivações

Em meus primeiros dias como Scrum Master, eu lembro de quebrar a cabeça pensando em formas de motivar o DevTeam e o Product Owner, muito embora eles já estivessem motivados pelo novo projeto e pela nova forma de trabalhar.

Algumas coisas funcionaram, outras não e uma série de outras que não funcionaram da forma como eu esperava.

Depois disso, quando começamos com a AdaptWorks, nos reunimos para criar a chamada “meta da empresa”, “princípios” e coisas do tipo. Claro, isso é importante, mas é muito mais difícil do que parece ser. Hoje sabemos que a primeira coisa que deveríamos ter feito era entender o porquê de criarmos a empresa.

Isso porque hoje sabemos um pouco mais sobre o que motiva as pessoas a trabalharem. Muito disso graças a um exercício que aprendemos e gostaria de compartilhar com vocês — o Moving Motivators.

Caso achem interessante, este e outros exercícios fazem parte do treinamento Management 3.0. Se não conhece o treinamento, ele, juntamente com o livro, ajuda a ampliar nossos horizontes e a enxergar a gestão de uma outra forma.

Moving Motivators

O Moving Motivators foi criado pelo Jurgen Appelo e permite que as pessoas reflitam sobre seus motivadores e como as alterações organizacionais influenciam neles.

Este exercício foi baseado nos dez desejos intrínsecos, que por sua vez, foi derivado dos trabalhos de Daniel Pink, Steven Reiss e Deci/Ryan. E para executá-lo, é preciso imprimir este PDF e recortar as cartas.

Primeiro passo

No primeiro passo, determine quais motivadores são mais importantes para você, ordenando as cartas da esquerda (menos importantes) para a direita (mais importantes).

É importante entender que a ordem difere bastante de pessoa para pessoa. Por exemplo, no meu caso, Freedom (Liberdade) é meu motivador mais importante. Para você, provavelmente seria outro motivador.

Segundo passo

No segundo passo, considere uma mudança em sua vida — um novo emprego, uma realocação, um novo projeto — e determine como essa mudança afeta seus motivadores. Caso a mudança seja positiva, mova a carta para cima. Caso seja negativa, mova para baixo.

Você provavelmente notará que a mesma mudança pode ter impacto diferente em diferentes motivadores de diferentes pessoas. Isso é decorrente da forma como cada um percebe o impacto da mudança em seu contexto.

Outra coisa a ser notada é que esses impactos podem ser temporários. Por exemplo, um novo projeto pode fazer com que Mastery (Maestria) acabe tendo um impacto negativo, mas somente pelo tempo em que ainda estiver aprendendo sobre ele.

Terceiro passo

Este exercício revela o efeito de uma mudança organizacional em seus motivadores. E isto pode ser aplicado por gerentes ou líderes em seus times — provavelmente de forma individual. Desta forma, os gerentes podem entender melhor o que motiva seus times e entender como uma mudança pode estar afetando-os.

Fizemos esse exercício algumas vezes aqui e o resultado foi muito bom. Por isso, recomendo.

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Stoos Connect! – Live Stream em São Paulo

No dia 25 de janeiro de 2013 a nossa querida cidade de São Paulo comemora 459 anos. Enquanto isso, em Amsterdam estará ocorrendo mais uma encontro do talvez mais importante movimento de gestão da atualidade, o Stoos. Depois da reunião de criação da Stoos Network em janeiro de 2012, e do Stoos Stampede em junho, agora é a hora do Stoos Connect!

O Stoos Connect! já conta com uma agenda riquíssima, incluindo nomes bem conhecidos do público brasileiro, como Jurgen Appelo, autor do livro e treinamento Management 3.0, e Niels Pflaeging, autor do livro “Liderando com Metas Flexíveis” e um dos responsáveis pelo treinamento de Beyond Budgeting da AdaptWorks.

Uma ótima novidade do Stoos Connect! é que o encontro será transmitido ao vivo para diversas cidades do mundo, e São Paulo – no dia do seu aniversário – não poderia ficar de fora desta lista, certo?

A AdaptWorks portanto irá sediar a transmissão do evento em São Paulo. Além da transmissão, que ocorrerá das 10 às 17 hs (horário de Brasília), haverá na sequência um descontraído happy-hour para quem quiser continuar a conversa e compartilhar suas conclusões. Será um dia bastante rico e divertido, que provavelmente marcará também o “ponta-pé” inicial das ações do Stoos Satellite São Paulo.

Resumindo

Dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, haverá uma extensa programação de eventos pela cidade. Um deles ocorrerá aqui na AdaptWorks, a transmissão ao vivo – direto de Amsterdam – do Stoos Connect!. Haverá muito conteúdo, discussões, descontração e happy hour. Há apenas 40 lugares disponíveis, e você deve reservar o seu lugar o quanto antes no link Stoos Connect Live Stream em São Paulo. É de graça, mas só reserve seu lugar se você realmente está decido a vir. Nos vemos lá!

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