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“O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo?”

Se você já teve, tem ou terá uma empresa, uma das infortunas preocupações é conseguir responder a pergunta: O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo? Responder a essa pergunta não diz respeito apenas a técnicas contábeis, financeiras e fiscais. Essa reposta passa por uma profunda relação de causas e efeitos interdependes dentro de toda a organização. Então como podemos ver, essa é uma pergunta complexa. Infelizmente a resposta para perguntas complexas não necessariamente são soluções simples, na verdade, muito pelo contrário, perguntas complexas, por muitas vezes, exigem respostas igualmente complexas. Sad but true.

É importante destacar que a complexidade aqui nesse cenário ganha o significado que é quase impossível prever que uma única ação resolverá de maneira matadora ou, prevenirá com eficiência um determinado problema.

Mas se o cenário é tão complexo, como então responder essa pergunta? O nosso senso comum nos diz que deveríamos procurar o MBA mais conceituado do mercado ou então fazer o treinamento mais TOP ou ainda, contratar uma consultoria altamente especializada para nos prescrever uma brilhante solução para a nosso problema.

Cuidado com o estoque de memória

Na verdade, não há nada de errado em buscar soluções prescritivas. O grande cuidado que precisamos ter é que em problemas complexos, não temos como prever com exatidão a relação de causa e efeito.

Para Edgar Morin, “A complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico. Mas então a complexidade se apresenta com os traços inquietantes do emaranhado, do inextricável, da desordem, da ambiguidade, da incerteza…”.

Ou seja, complexidade é sinônimo de surpresas. Então, qualquer coisa que façamos para prever a relação de causa e efeito é, na verdade, uma grande especulação. Não é errado especular, mais precisamos reconhecer que em toda a especulação, podemos acertar ou podemos errar.

Tendo posto isso, começamos agora a reconhecer que muito daquilo que aprendemos durante anos à fio nas escolas, faculdades, cursos e livros, na verdade, só fez aumentar nosso estoque de memórias sobre maneiras prescritivas de tentar resolver problemas.

Mais uma vez, não há nada de errado em aumentar o seu estoque de memória. Na verdade, acredito que aumentar esse estoque, faça parte de nossa natureza humana. Só que como todo e qualquer estoque, precisamos sempre nos perguntar: Será que economicamente é saudável termos um estoque de memórias tão grande?

Produto x Processo

Conhecimentos prescritivos já não são mais suficientes para lidar com problemas complexos. Esses conhecimentos prescritivos não são suficientes principalmente quando enfrentamos questões tão complexas quanto do tema “O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo? ”. Observe que aqui, dividimos nossa odisseia em 2 grandes pontos:

  • Produto da Aprendizagem
  • E Processo de Aprendizagem.

Produto da Aprendizagem, está relacionado com o conhecimento acerca das causas e efeitos para tentar resolver ou evitar o problema. Então no tema exemplo desse texto, todo e qualquer conhecimento sobre formas de gerenciar fluxo de caixa, reduzir custos, otimizar o negócio, aumentar o faturamento são considerados produtos da aprendizagem.

Já o Processo de Aprendizagem, se aplica a forma como se é construído essas possíveis conexões entre as causas e efeitos. Ou seja, como que será buscado, conectado e colocado em práticas as ideias e experiências sobre “O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo? ”.

Contudo, tanto com relação ao produto, quanto com relação ao processo de aprendizagem, como podemos ver na figura abaixo, é possível entender que existem pelo menos 3 versões possíveis de trilhar o caminho para a solução da questão.

Versões de Learning

Como respondemos à essa questão de um jeito 1.0?

A forma 1.0 de responder essa pergunta está baseada na ideia de “eu preciso ser ensinado a como resolver esse problema – então ensine-me! “ . Nesse cenário, o foco é no ensino e não na aprendizagem. Assim, temos um receptor passivo que espera um expert ou uma instituição decidir o produto e o processo de aprendizagem necessário para ser construir o estoque de memórias sobre o tema. É um cenário meio de 1:N (um para muitos), ou seja, existe um expert que fará o broadcast do conhecimento que possui sobre aquela situação. Normalmente, é um tipo de aprendizado mais empurrado. Em outras palavras, é em cenário onde o indivíduo não sabe muito bem se precisará daquele conhecimento, mas alguém decidiu por ele , a forma e quantidade de estoque de memória que ele vai construir sobre aquele assunto.

Como respondemos à essa questão de um jeito 2.0?

Aqui já temos um modelo meio transitório, pois há um foco maior no diálogo entre o expert e o receptor. Aqui, provavelmente o conhecimento já seja orientado ou puxado por uma problematização. Provavelmente, nesse jeito 3.0, temos a chance de não criar tanto estoque desnecessário de memórias sobre um determinado assunto. O jeito 2.0, mesmo tendo perguntas puxadas pelo próprio receptor, ainda possui uma estrutura onde a resposta continua dependendo de um expert.

Como respondemos à essa questão de um jeito 3.0?

No jeito 3.0, o produto de aprendizado não mais depende de experts.   Na verdade, o jeito 3.0, promove uma espécie de aprendizado emergente das interações entre os indivíduos que estão vivendo aquele mesmo contexto. Aqui, o foco maior é no compartilhamento, pois cada pessoa, pode ser um emissor e um receptor do conhecimento (inclusive ao mesmo tempo). O processo de aprendizagem 3.0 é baseado na ideia de criar restrições mínimas possíveis para que o aprendizado aconteça de forma emergente (puxada) e que considere múltiplos pontos de vistas sobre aquela determinada situação. A ideia de considerar múltiplos pontos de vistas está fortemente relacionada com o reconhecimento de que, em sistemas complexos, as verdades sempre são muito efêmeras, ou seja, precisam se experimentadas pois se tratam sempre de uma especulação sobre o assunto.

Empacotando tudo isso

Learning 3.0 é conjunto de conceitos e ferramenta, que através de um fluxo baseado em Problematização, Pesquisa, Conexão, Prática e Compartilhamento, fornece uma forma conceitual e pratica de conduzir um processo de aprendizagem aderente a instabilidade, dinamismo e velocidade que os contextos complexos exigem.

O conceito Learning 3.0, foi criado pelo amigo Alexandre Magno e está sendo amplamente suportado pelo trabalho em rede de HappyMelly. Nós da Adaptworks estamos juntos nesse esforço e também buscamos, na medida do possível, promover ambientes de aprendizado 3.0 dentro de nossos treinamentos.

Se você deseja aprender mais sobre o conceito, acesse http://www.learning30.co/learning-3-0/ e veja as novidades, textos e ferramentas que estão sendo criadas pelo ecossistema do Learning 3.0. Fique de olho aqui no blog da Adaptworks também, pois sempre que possível, postaremos mais novidades sobre nossas experiências práticas acerca dessa abordagem.

Manoel Pimentel

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