Estava sem ideias de como eu poderia ajudar um time a entender que trabalhar com agilidade exigiria deles ter mais controle de algumas situações e que não poderíamos jogar aquele jogo com o mesmo comportamento que estava impregnado na mente deles. Eles precisavam entender que a rédea também estava nas mãos deles.

Estávamos diante de uma retrospectiva e algumas fórmulas usadas anteriormente já não estavam sensibilizando aquele time. Sabe aquela sensação “tá tudo bem, mas não tá”? Era isso o que eu sentia naquele momento.

Eles tinham receio de arriscar, de se comprometer… de falhar! Algo, de certa forma, comum em times que estão iniciando a sua jornada na agilidade.

Nesses casos, o comando controlismo se manifesta de todas as formas possíveis e imagináveis.

Você já entendeu o alvo desta retrospectiva: comportamento.

Foi então que sugeri para o Scrum Master uma dinâmica nova. 
Fã de Daniel Pink desde que iniciei minha jornada como praticante de Management 3.0, resolvi trazer para a nossa retro os motivadores intrínsecos que ele tanto fala: autonomia, maestria e propósito.

Aliás, se você ainda não leu Drive, do Daniel Pink, leia! É muito interessante.

Bom, voltando a retrospectiva, comecei contando para o time que, como profissionais do conhecimento, nós temos algo dentro de nós que nos move e nos direciona. O tempo todo!

Assim que apresentei os motivadores destacados por Daniel Pink, pedi para o time definir cada um deles através de uma frase, com base em três perguntas muito simples:

O que é autonomia para nosso time?
O que é maestria para nosso time?
O que é propósito para nosso time?

Isto já gerou uma discussão bem interessante, mas o melhor estava por vir.

Feitas as devidas definições, começamos a exercitar como cada um destes motivadores se manifestavam em cerimônias e papéis do Scrum.

O time pôde, ao longo da retrospectiva, debater gaps e comportamentos que estavam atrapalhando a vida deles.

Esta experiência foi bem interessante porque ajudou o time a “destravar” um pouco aquele comportamento de esperar o chefe dizer o que vamos fazer hoje.

Entender aqueles motivadores os ajudou a pelo menos tentar fazer diferente, fazer melhor.

Para o desfecho deste post eu poderia usar o clichê de que não podemos nos limitar a oferecer um conjunto de ferramentas pré-definido e que devemos que buscar atualização e novas fontes de conhecimento o tempo todo. Quanto mais ferramentas, melhor! Não é verdade?

Mas tudo isso você já sabe! Saindo do óbvio, eu preciso te dizer que se você leu tudo isso pensando que o foco era o aprendizado que eu tinha oferecido a eles você está muito enganado.

No papel de Agile Coach eu posso te dizer que serei sempre muito grato aquele time por aquela oportunidade. Se eu pude oferecer a eles algo novo em contrapartida eles me ofereceram uma experiência muito interessante e que certamente me deu confiança a experimentar outras coisas.

E eu não poderia encerrar este post sem agradecer ao Daniel Pink! Usar seus conceitos como pano de fundo de uma retrospectiva foi muito bacana! Muito obrigado!
Venha sempre que puder, Daniel! 😉

Até mais!

Diego Bonilha Xavier

Diego Bonilha é Agile Trainer e Facilitador de Management 3.0. Já atuou como desenvolvedor, líder, gerente de projetos e scrum master e traz toda esta experiência para os treinamentos, palestras e consultorias.

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