O facilitador de times ágeis, também conhecido em alguns cenários como o Scrum Master, Agile Master ou até mesmo Agile Coach, tem diversas funções na sua agenda que são sempre voltadas para promover a auto-organização dos times que apoia. 

Nesse artigo vamos chamar esse papel de facilitador.  

Já ouviram falar que essa é a pessoa que protege ou até mesmo o que “Blinda o Time”? 

Muitas vezes o Product Owner, Product Manager ou algum outro stakeholder traz demandas inesperadas para o time como pressão de data, mudança de direcionamento e até um pedido de ajuda para discutir um tema que não é o foco total no momento ou na sprint corrente.  

O time precisa ter foco no trabalho comprometido e na entrega de valor para o cliente, então, a pessoa designada para o papel de facilitador toma a postura de proteger o time.  

Tal postura que, em alguns casos, pode ser:  

Ninguém pode interromper o meu time. Falem diretamente comigo.
PO não pode estar presente na Daily.
O Sprint Backlog do meu time não pode ter alteração. 

Pronto, agora meu time está blindado… Resolvido? 

Bom, eu mesmo já tive atitudes parecidas ao atuar como facilitador de times ágeis. E isso, muitas vezes, é um mecanismo de defesa naquele momento. Sem julgamentos se é o certo ou o errado a fazer, cada caso é um caso.  

Diante de momentos como esse sempre se questione em relação aos valores ágeis. Vou destacar somente um deles para que você reflita a coerência das frases ditas acima por um facilitador. 

E então, o que acham daquelas posturas ao confrontar esse valor ágil? E se falarmos dos outros 3 valores e 12 princípios 

Até quando vamos cortar a interação livre entre as pessoas? Quanto tempo vamos gastar discutindo interpretações do Scrum Guide, se o PO participa da Daily ou não? Quantas vezes mais vamos tomar posse e falar no “meu time” ninguém interfere? 

Percebam que, dessa forma, o facilitador acaba causando uma dependência muito grande e sobrecarga em seu papel. Isso tudo sopra na direção contrária da auto-organização! 

Vou fazer uma comparação com o famoso filme 300. Você já o assistiu? Dentro da história dos espartanos, em um exército enxuto com guerreiros muito fortes, inteligentes e especialistas, o escudo era um item muito valioso passado de geração em geração na família.  

Durante as batalhas, perder uma espada ou uma lança poderia causar um desfalque grande no exército, mas perder um escudo era visto como uma desgraça, um desastre.  

O grande motivo é porque sem esse equipamento os espartanos não poderiam fazer a formação de defesa em que o escudo de um protege o outro. Isso traz grande vulnerabilidade para o grupo. 

Entrando com paralelo de um facilitador de times ágeis não acredito que ele consegue se colocar na posição de ser o único escudo para todos do time.  

Vejo que ele pode ajudar o time a formar sua própria parede de escudos e ser parte dessa quando necessário. 

Além disso, pode ensinar o próprio PO a integrar-se nessa parede, o Product Manager também pode entrar na formação, assim como todos os outros Stakeholders.

Uma equipe coesa com abertura para se comunicar com qualquer um sabe sua integridade, seus objetivos comuns e as mudanças que fazem sentido ou não para o seu momento ou contexto. 

Essa é uma analogia que sempre utilizo, mas com certo cuidado pois podem haver diversas e erradas interpretações. Espero que tenha ficado claro!  

E aí facilitador, o que pode ser esse escudo? 

Abertura e escuta ativa

Sempre fui a favor da abertura e escuta ativa. Quando uma demanda “urgente” aparecer no time, envolva os demais integrantes para discutir.  

Entenda a perspectiva de quem está solicitando, questionem o porquê é urgente, discuta sobre o valor agregado na estratégia do produto/serviço e, então, decidam juntos o que fazer.  

Se a decisão for de acatar essa demanda, também encontrem mecanismo de medir quantas demandas dessa natureza aparecem no dia a dia, isso pode gerar boas conversas. 

Utilize práticas ágeis para criar acordos e hábitos 

Essa demanda faz sentido, mas altera o objetivo da sprint. Então, podemos fazer o cancelamento da sprint e replanejar sem deixar de discutir em conjunto se a demanda já está “pronta” para entrar no próximo sprint backlog 

Isso pode trazer insumos para criar ou revisitar o Definition of Ready, ou até mesmo melhorar a cadência e prática do refinement 

Talvez o Product Backlog deveria estar visível para o time ter ciência das demandas em um horizonte a curto prazo. Talvez seja prudente rediscutir a prioridade desses itens após a próxima sprint review. 

Mesmo com alguns questionamentos sobre qual o momento em que o facilitador deve interferir o não, não podemos negar a sua importância fundamental dentro de um time. 

Muitas são as maneiras diferentes que o facilitador pode trabalhar com a equipe e, diversas práticas e ferramentas podem ser utilizadas para facilitar essa troca. O ponto abordado hoje é só um daqueles muito questionados acerca do papel do facilitador.  

Você já atua ou pensa em atuar nesse papel de facilitador? Quais temas mais te causam questionamentos e provocações? Aproveite e venha discutir e aprender na prática, no treinamento de Agile Team Facilitation, sobre esses outros diversos assuntos. 

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