SAFe – FAQ #1

Com esse post, daremos início a uma série com FAQs (Frequently Asked Questions) sobre o SAFe (Scaled Agile Framework). As perguntas dessa série nasceram no grupo SAFeBrazil.  Os participantes do grupo já sugeriram várias questões, mas pesquei apenas algumas delas para começar a série de posts. Veja abaixo essas quatro perguntas e suas respectivas respostas. Se você deseja sugerir mais perguntas, entre no grupo e contribua com as suas dúvidas e questionamentos.

01) Como começar a implantação do SAFe?

Existem alguns caminhos possíveis para se começar uma adoção ágil. O SAFe trabalha com uma forma de tangibilizar os benefícios de Agile à todo o pensamento estratégico da organização. O SAFe busca criar um ambiente seguro para romper as  barreiras organizacionais e para gerar os ganhos em escala.  Isso acontece através de uma forte sensibilização da abordagem ágil às necessidades e anseios das pessoas que estão no topo das grandes corporações.

Observe que isso não significa que é obrigatório que essas pessoas (normalmente executivos, diretores, C-levels) se tornem agilistas da noite para o dia. Na verdade, trata-se de buscar uma forma em que a abordagem Ágil fale a mesma língua desse topo das organizações.

Para falar essa mesma língua é necessário entender e alinhar todos os potenciais ganhos, relacionados à métodos ágeis, à questões como redução de custo, menor custo de delay, aumento de qualidade, engajamento de colaboradores, redução de time-to-market ou, por um melhor aproveitamento das janelas de mercado.

Então, um dos possíveis primeiros passos é exatamente buscar esse alinhamento político sobre as expectativas da adoção de Agile e principalmente, criar uma integração efetiva do ciclo de desenvolvimento de software com esses anseios estratégicos e econômicos da organização (e vice-versa).

02) Como começar a aprender SAFe efetivamente?

O SAFe traz uma compilação de diversas abordagens já existentes, como por exemplo: pensamento Lean, os princípios do Product Development Flow, Scrum, XP e outras coisas.

Dessa forma, muito provavelmente você já conhece algum desses ingredientes.  E se esse for seu caso, você já começou a aprender SAFe. Contudo, o SAFe, através de uma boa combinação dos ingredientes citados acima, introduz uma completa estrutura metodológica de cerimônias e papéis para garantir uma sincronização e coordenação entre diferentes frentes de desenvolvimento de um mesmo produto/objetivo de negócio.  Então, além da própria experimentação diária que você pode fazer no front de batalha da adoção ágil, você pode participar dos treinamentos licenciados/certificados pela Scaled Agile Academy (instituição por trás do SAFe).  A Adaptworks, mais uma vez está sendo pioneira no Brasil e está ofertando em primeira mão os treinamentos para certificação em SAFe. Esses treinamentos são um excelente ponto de partida para que você se instrumente de ferramentas para rodar Agile em grandes corporações.

03) Pergunta que não quer calar… Qual é a relação de SAFe com o Scrum, um substitui o outro?

Scrum e SAFe muito mais cooperam do que competem nesse caso.  Como falei na resposta anterior, o SAFe é uma forte espinha dorsal que, através da combinação de Lean/Kanban/Scrum/XP, integra o pensamento estratégico organizacional ao dia-a-dia de trabalho do time.  Dessa forma, o SAFe tem um Scrum dentro de si.  Mas observe que isso é diferente de ser um Scrum estendido.

Dentro dos níveis de Portfolio, Programa e Time, o SAFe baseia o nível de Time fortemente em Scrum. Então no SAFe há papéis como Product Owner, ScrumMaster e Time. Além disso, existem as cerimônias de Planning, Daily, Review (Sprint Demo no SAFe) e Retrospective.  E principalmente,  um dos alicerces de todo o trabalho com o Scrum está fortemente presente: O reconhecimento do fenômeno da auto-organização. E por o SAFe ser um framework para gestão do trabalho em escala, ele também se baseia nas reuniões de Scrum-of-Scrums para uma das reuniões de sincronização e alinhamento do trabalho de diferentes times.

Então em resumo, o SAFe reconhece a eficiência que o Scrum introduz no dia-a-dia de trabalho de um time de desenvolvimento de produto, contudo, também reconhece que o Scrum sozinho é insuficiente para responder às perguntas organizacionais de grandes empresas. Por isso, o SAFe introduz outros elementos para ajudar uma empresa ter ganhos em escala com métodos ágeis.
Dessa forma, o SAFe ajudará a estruturar uma forma de resolver a necessidade de escalar e integrar a autoridade de conteúdo nos produtos, também introduzirá meios para sincronizar o resultado do trabalho de cada time, bem como, criar um cultura de priorização e planejamento ágil baseados em critérios econômicos.

04) Qual é o conceito de Time para o SAFe?

O conceito de time é algo universal e o SAFe não muda ou tem seu próprio conceito de time.  Então vamos assumir que um time é grupo de pessoas, que trabalham numa mesma direção, em prol de um mesmo objetivo e, que tem os resultados computados mutuamente.

A principal diferença que SAFe possui, é que existe um nível inteiro no framework dedicado ao trabalho dos times. Assim, o SAFe reconhece que haverão vários times trabalhando para um mesmo objetivo de entrega estratégica.  Esse trabalho precisará de um alto grau de colaboração, comunicação e comprometimento desses times.  Para isso, o SAFe evidencia  que é necessário  ter um estilo de liderança (em todos os níveis do framework) compatível com o processo  motivacional de times criativos.

O SAFe também trabalha fortemente com o conceito de Agile Teams ( ou Scrum Teams, caso prefira), nesse caso, teremos um time composto por pessoas com skill técnico de desenvolvimento,  uma pessoa no papel de ScrumMaster e outra pessoa no papel de Product Owner.  Mas também, o SAFe reconhece que existem, em diferentes níveis da organização, outros times. E esses times precisam ser considerados e integrados ao trabalho em escala de métodos ágeis. Dentre esses times que já existem na organização, podemos citar por exemplo, uma espécie de time de sistema (que na verdade pode ter outros nomes em sua empresa). Esse time de sistema normalmente cuida de questões como integração do produto com outros partes legadas do sistema, ou então questões relacionados à infraestrutura, produção, incidentes,  processo de deploy, testes integrados,   integridade e reuso arquitetural e outras coisas. Entenda, o SAFe é um framework fortemente baseado em integração.  Isso significa dizer que além dos típicos times ágeis, também precisaremos integrar, nos momentos  e assuntos certos, com o trabalho de outros times (até mesmo não ágeis) de sua organização.  Se você tem alguma experiência em grande empresa, saberá que isso é uma questão crítica para todo o trabalho com métodos ágeis.

Mas voltando ao nível de time (no framework), outro ponto importante, principalmente para a visão em escala, é que o trabalho nesse nível  é guiado por instâncias diferentes (mais integradas) de um artefato chamado Team Backlog.  Um Team Backlog é uma coleção de coisas que um time precisa fazer para avançar um incremento do produto/solução em desenvolvimento. Como teremos vários times trabalhando, então teremos vários Teams Backlogs. O conteúdo de um Team Backlog é uma derivação de um Program Backlog (que está no nível de programa). Um Program Backlog é uma lista única de Features (em alto nível) que comporão uma release gerada pelo ART (ver sobre esse assunto no artigo SAFe – Uma visão inicial de como escalar Agile)

Até a próxima pessoal!

Bom, por enquanto é só pessoal. Acredito que essas perguntas iniciais ajudem nossa comunidade a entender um pouco mais sobre como escalar uma adoção ágil através do SAFe.  Até a próxima rodada de perguntas e respostas sobre esse assunto.

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