Lean Change Management vem aí…

lean change managementNos dias 04 e 05 de Maio de 2017, nosso Chief Learning Officer Roberto Baptista teve o prazer de participar do treinamento Lean Change Management (LCM) em Washington, DC. Nosso conterrâneo João Gama foi quem conduziu a turma, um facilitador nato, transpira agilidade na essência. Foi interessante notar que todos os participantes (assim como o Roberto) eram SAFe Program Consultants (SPCs) ativos no mercado.

O treinamento Lean Change Management foi criado por Jason Little (autor do livro Lean Change Management) e tem como base ideias de Lean Startup, Agile, Change Management (Kotter 8-steps, ADKAR) e Organizational Development.

MVC/MVT (Minimum Viable Change ou Transformation) é apenas uma das contribuições fantásticas dessa fusão. As práticas do Lean Change Management realmente podem contribuir e facilitar muito uma transformação ágil (que é uma mudança enorme), tanto para agile teams quanto agile release trains, PPM´s, etc.

Após compartilhar essa experiência com os outros Adaptworkers, entendemos que tanto para Agile Coaches quanto outros perfis que estão participando de transformações ágeis em grandes organizações, as práticas do Lean Change Management são indispensáveis. E como não poderia ser diferente, a Adaptworks reforçando seu pioneirismo no país, inovou com mais este tema em seu portfólio.

Aproveite esta chance para participar da primeira turma de Lean Change Management Certified Agent no Brasil. Conheça mais e inscreva-se!

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Certificação, Coaching, Facilitação, Lean, Mudança organizacional

SAFe – Escalando o Product Development Flow

Como mencionei no artigo anterior,  o SAFe – Scaled Agile Framework, é baseado em princípios Lean, em Scrum, em práticas XP (Extreme Programming) e, em uma considerável experiência de campo de uma ampla comunidade mundial. Ao aprofundarmos essas bases, vamos encontrar um elemento chamado de The SAFe House of Lean  (ver figura abaixo), que é uma variação do famoso House of Lean.  No The SAFe House of Lean, veremos os pilares e valores Lean.    E também veremos que o SAFe é fortemente orientado aos princípios do Product Development Flow (Fluxo do Desenvolvimento de Produto). Esses princípios foram muito bem sintetizados  por Don Reinertsen no livro Principles of Product Development Flow. Nesse nosso post, vamos ter uma visão inicial sobre  esse núcleo do SAFe.

SAFe-House-Of-Lean

Os princípios do Fluxo de Desenvolvimento de Produto são baseados em 08 temas. São eles:

1 –  Take an economic view (Adote uma visão econômica)

Apoie suas decisões sobre o portfolio de produtos e sobre toda a cadeia de desenvolvimento em critérios econômicos.  Adotar critérios econômicos não é algo trivial, pois envolve variáveis como Lead Time,  Custos e Despesas do Desenvolvimento, Geração Valor e também Risco.  O próprio Don Reinertsen reforça que se você tiver que quantificar uma única coisa, quantifique o Custo do Delay (CoD – Cost of Delay). Ou em outra palavras: Qual o custo ou prejuízo de sua organização demorar ou atrasar determinado produto ao mercado?

2 –  Actively manage queues  (Gestão ativa das filas)

Desenvolver, em diferentes níveis organizacionais, uma gestão inteligente sobre as filas de demandas é algo crucial para o sucesso de um portfolio de produtos.  Para isso, para cultivar uma forma inteligente de gerir as filas, é importante entender questões como o efeito que a Lei de Litle  exerce nas demandas, os efeitos de um processamento rápido sobre o tempo de espera e principalmente e ter o controle do tempo de espera através da gestão do tamanho das filas.

3 –  Understand and exploit variability (Entenda e explore a variabilidade)

Admite-se que não é possível gerar valor sem adicionar variabilidade no sistema de trabalho. Isso faz com que assumir riscos seja a base central para criação de valor. Dessa forma,  o SAFe reforça a necessidade de fazer Spikes. O termo spike é uma prática muito forte na XP (Extreme Programming) e ajuda a explorar variabilidade desejada e também ajuda evitar a variabilidade não desejada. Podemos dizer que encontrar esse equilíbrio entre variabilidade desejada e não desejada, é a essência de toda a busca ágil.

4 –  Reduce batch sizes  (Reduza o tamanho dos lotes)

Partindo do princípio econômico que grandes lotes de trabalho aumentam a variabilidade,  retarda o feedback e faz com  que o cycletime (tempo de ciclo) do processo seja igualmente grande, trabalhar com lotes menores, ajuda a reduzir o cycletime,  promove feedback mais rápido e, diminui a variabilidade e o risco do desenvolvimento. Lotes menores também otimizam a forma, o tempo e o custo de handoff (transporte entre etapas) dentro do sistema de geração de valor.

5 –  Apply WIP constraints  (Aplique restrições WIP – Work-in-process)

Gerenciar o WIP é parte central do Kanban. Na verdade, limitar o WIP é uma forma de aplicação do conceito Lean chamado de  Heijunka,  que em uma tradução livre, significa algo mais ou menos como: “Nivelar a carga de trabalho”.  O SAFe, por ser fortemente baseado em Lean, também estimula uma aplicação de Kanban em nível de Portfolio. Dessa forma, reconhece-se que restringir a capacidade de trabalho através uma política de WIP, aumenta a capacidade de entrega e torna o sistema mais fluído e, curiosamente, um pouco mais previsível.

6 –  Control flow under uncertainty: cadence and synchronization (Controle do fluxo sob a incerteza: Cadência e Sincronização)

Cadência torna os eventos imprevisíveis em eventos previsíveis. Já sincronização, estimula que múltiplos eventos aconteçam no mesmo momento. Entender essas diferenças básicas é importante para combiná-las de maneira efetiva em ambiente de escala. Para controlar o fluxo, mesmo sob a incerta, o SAFe  faz a distribuição dessa combinação nos níveis de  Portfolio, Programa e Time.  Essa distribuição  faz com que a organização tenha sensíveis ganhos de planejamento e aprendizado sobre os desvios gerados ao longo do caminho.

7 –  Get feedback as fast as possible (Obtenha feedback o mais rápido possível)

Aumentar a feedbackabilidade, não é algo novo para comunidade ágil. E para o SAFe, isso é o mantra vital a ser propagado em todos os níveis organizacionais. Isso é importante pois loops de feedback locais são inerentemente mais rápidos que os loops de feedbacks globais. Contudo, os loops globais se beneficiam do aprendizado obtido nos locais.  Esse efeito faz com o que a organização gerencie melhor o risco, corrija o rumo dos investimentos e cultive de maneira assertiva a inovação em toda a sua cadeia.

8 –  Decentralize control  –  (Descentralize o controle e as decisões)

A descentralização do controle e das decisões é o elemento crítico para cultivar times auto-organizados e, principalmente, criar um ambiente com maior fluidez na hora de responder às variações dos mercados, dos produtos e do próprio trabalho criativo. O SAFe reconhece que esse é um assunto crítico para que uma empresa possa de fato obter benefícios ágeis para o seu negócio. Dessa forma, as ideias do SAFe estimulam um pragmático reconhecimento de quais decisões, de efeito local, podem e precisam ser tomadas de maneira distribuída e quais as decisões, de efeito global, que ainda precisam ser mantidas de forma centralizada na organização.

 

Bom, essa foi a síntese sobre como o SAFe incorpora os  Princípios do Product Development Flow,  que é uma importante base para se conseguir escalar uma adoção ágil. Como mencionei,  esses princípios estão distribuídos por todos os detalhes do Scaled Agile Framework e norteiam todo o ciclo de desenvolvimento de produtos, desde o nível de portfolio, até o nível do dia-a-dia do time.  Obviamente, que o SAFe empacota esses princípios para que os mesmos sejam vividos de maneira plena, desde pessoas com papéis de C-level,  até todos os envolvidos desde da etapa da identificação de uma oportunidade de negócio, até a implementação da solução para aquela oportunidade. Caso queria mais informações sobre o SAFe, você pode fazer parte do grupo SAFeBrazil (grupo de discussões no facebook) e acompanhar discussões ou contribuir com novas dúvidas sobre o assunto. Até o próximo artigo!

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Agile, Lean, Portfólio, SAFe

Gestão Lean – O seu kanban está ajudando a resolver o problema certo?

Vídeo da palestra que fiz em Abril,  no  ALM  Summit Brasil 2013 com o título Gestão Lean – O seu kanban está ajudando a resolver o problema certo?

A essência dessa palestra foi baseada no fato de que hoje tem sido comum muitas empresas adotarem Kanban ou alguma outra ideia derivada de Lean dentro dos seus processos e modelos organizacionais. Mas mesmo com essa avalanche de boas intenções, será que as empresas estão se concentrando na questão certa? Qual tem sido o principal motivador que tem levado a adoção de Kanban? Será que esse motivador é realmente importante para as organizações?

Essa palestra visou recuperar as ideias e práticas básicas do pensamento Lean e ligá-las à maneira como as empresas estão adotando ou deveriam adotar Kanban e seus derivados.

Quero agradecer aos amigos Rodrigo Yoshima e Celso Martins pelos grandes insights sobre Kanban e afins :-). Um grande agradecimento também aos amigos da Lambda3 pela super oportunidade de falar para comunidade Microsoft.

 

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Kanban, Lean, Mudança organizacional

Por que devo aprender Gestão de Portfólio com a Johanna Rothman?

Nos dias 10 e 11 de setembro, em São Paulo, a AdaptWorks receberá pela primeira vez no Brasil o treinamento “Manage Your Project Portfolio” com Johanna Rothman. Ela é a maior autoridade mundial quando se fala em Agile Portfolio Management, e é autora do mais importante livro sobre o tema.

Hoje em uma conversa rápida, fiz à Johanna algumas perguntas que podem lhe fazer perceber a importância que este treinamento tem na trajetória de sua empresa – e sua – com Agile. É realmente uma oportunidade única, pois trata de pontos estratégicos para as organizações e muitas vezes negligenciados dentro da comunidade ágil.

Ax: Qual a importância da Gestão de Portfólio para as organizações de TI?

Johanna: Organizações de TI (e organizações de engenharia e R&D) tem sempre muito trabalho a ser feito. A pergunta é sempre a mesma: qual trabalho deve ser feito primeiro? E isto não é uma pergunta fácil de ser respondida. A Gestão de Portfólio de Projetos é o melhor caminho obter esta resposta.

Ax: Quais são as principais diferenças entre as práticas tradicionais de Gestão de Portfólio e uma abordagem Agile/Lean?

Johanna: Abordagens tradicionais precisam de previsão de ROI, de valor, de custo. Você sabe onde eu quero chegar. É esperado que você preveja tudo para poder tomar uma decisão. Mas como sabemos, não somos muito bons em previsões, certo?

Com uma abordagem Agile/Lean, você não precisa prever muito. Você diz, qual é o trabalho mais importante a ser feito agora? Então nós atribuímos aquele trabalho a um time para uma iteração. Ou, se usarmos Kanban, o time trabalha naquela MMF (Minimum Marketable Feature). Quando o time finalizar, eles trabalham então na próxima funcionalidade. Ou, se usarmos Agile, o time nos mostra uma demo, e nós dizemos: “Ok, qual é o próximo trabalho de mais valor para este time trabalhar?”

Ax: Entendi, já que você estará alocando o time em uma MMF ou iteração, e não em um grande projeto inteiro, o risco de “escolher investir no projeto errado” é reduzido. Muito interessante!

Johanna: Isto é baseado em dados. Nós focamos no trabalho mais estratégico, de mais valor. Eu falo um pouco mais sobre isso no post “Visualizing All the Work in Your Project Portfolio”.

Ax: Quem não pode perder este treinamento?

Johanna: Se você é um gestor e está cansado de ver as pessoas perdendo o tempo com multitasking, você deve participar deste treinamento. Se você é um gestor senior, e quer saber como gerenciar um portfólio de projetos, você deve participar deste treinamento. Se você é um indivíduo que participa de projetos em qualquer posição, e pode sair por dois dias do trabalho, você voltará com ótimas idéias para sugerir ao seu gestor. Se você é um gerente de projetos, você aprenderá como tomar as decisões certas.

Ax: O que os participantes podem esperar do treinamento?

Johanna: Após estes dois dias as pessoas dirão: “Eu realmente me diverti. O treinamento foi bastante interativo. Você deveria ter ido! Eu aprendi muito em dois dias”. Portanto, você deve estar lá.

Ax: Na sua passagem pelo Brasil você também fará uma palestra no Agile Brazil, o maior evento da comunidade brasileira de Agile. Pode nos falar um pouco sobre isso?

Johanna: Eu tenho alguns contatos no Brasil através do Linkedin, mas não sei muito além disso. Não vejo a hora de conhecer muitas pessoas da comunidade brasileira e ver se há algo de diferente entre as outras comunidades que já visitei. Aposto que aprenderei muito e conhecerei muitas pessoas interessantes.

 

Ainda há algumas vagas disponíveis para esta única turma da Johanna Rothman no Brasil, e para evitar que algumas pessoas interessadas fiquem de fora estamos trabalhando com uma condição exclusiva para este treinamento e fazendo o parcelamento em até 12 vezes! Lembrando ainda que cada participante receberá uma cópia do livro “Manage Your Project Portfolio” das mãos da própria autora.

Inscreva-se aqui, ou através do fone (11) 2507-3563.

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Agile, Kanban, Lean, Portfólio, Scrum

Treinamento Inédito no Brasil com Johanna Rothman sobre Gestão Ágil de Portfólio

A AdaptWorks inova mais uma vez, trazendo pela primeira vez ao Brasil o treinamento “Manage Your Project Portfolio”, ministrado por Johanna Rothman.

Johanna Rothman, é fundadora do Rothman Consulting Group, uma líder reconhecida na comunidade Agile. Escreveu vários livros sobre gestão, incluindo “Manage It! Your Guide to Modern, Pragmatic Project Management”, “Behind Closed Doors: Secrets of Great Management” (com Esther Derby), “Hiring the Best Knowledge Workers, Techies & Nerds”, “Corrective Action for the Software Industry” (com Denise Robitaille) e “Manage Your Project Portfolio, Increase Your Capacity and Finish More Projects”, sendo este último o mais recente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este último livro conta-nos, essencialmente, sobre como identificar os primeiros projetos a serem realizados e os que jamais devem seguir adiante. Muitas organizações têm projetos que vêm se estendendo há muito tempo e talvez o caso seria interromper esses projetos, pois eles deixaram de gerar valor. Ou, em alguns casos, um outro rumo pode ser necessário ao projeto, assim como dividi-lo em dois, por exemplo.

O treinamento que Johanna fará aqui no Brasil abordará justamente essas questões, entre outras, tais como:

  • Desenvolver e manter um portfólio ágil, aplicando práticas ágeis e lean.
  • Avaliar os projetos, classificá-los e selecioná-los para incluir no portfólio.
  • Criar confiança entre todos os envolvidos, permitindo uma melhor colaboração.
  • Iterar sobre o portfólio e medir o essencial em projetos e programas.
Recentemente, ela foi entrevistada pelo InfoQ norte-americano, abordando a gestão de portfólio ágil e assuntos como projetos de “missão impossível”, projetos “sagrados” e impedimentos gerais mostrando como superá-los.

Em novembro de 2011, ela participou da “Developer Conference” na Suécia, em uma sessão em que abordava o planejamento de um portfólio ágil.

Para conhecer mais sobre o seu “portfólio” de conhecimento:
  • Boletim que ela mantém e envia por e-mail sobre gerente pragmático: Pragmatic Manager.
  • Apresentações que ela já realizou: Slideshare.
  • 3 Blogs que ela mantém (gestão de produto, contratação de pessoas técnicas e sobre “vida adaptável”): Blogs.

E não percam, pois dias 08 e 09 de maio ela realizará o treinamento inédito no Brasil, promovido e organizado pela AdaptWorks. Oportunidade única!

Atualização: Este workshop teve data alterada e confirmada para 10 e 11 de setembro, em São Paulo. 
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Agile, Lean, Portfólio

LESS 2011 – Relato

Na última semana participei da segunda edição da LESS (Lean Enterprise Software and System) na bela Estocolmo, Suécia. Não foram poucas as pessoas que me perguntaram o porque de eu ter optado por esta conferência. Minha resposta é simples: estou em busca de conferências menores, menos conhecidas, fora do eixo, pois é normalmente ali que coisas boas estão sendo discutidas. Não que as conferências mais populares, como Scrum Gathering ou Agile Conference não sejam boas, elas o são, mas já tem algum tempo que saio destas conferências com a percepção de que grande parte das pessoas estão ali a procura de evangelizar outras (vender seus processos, livros ou ideais), fazer networking ou … ambos. Poucos com a cabeça aberta para desafiar convenções, mudar de idéia, enfim.

No geral, a conferência foi excelente! Talvez a melhor que eu tenha participado desde o London Scrum Gathering 2007, que foi bem pequeno, quase um grupo de estudo reunido para aprender mais sobre Scrum. Abaixo vou listar os pontos fortes e um resumo das principais palestras e trilhas que participei.

No-chilique

Em tempos onde praticamente todos os lugares que se fala sobre Agile estão infestados de chiliques em volta de Kanban versus Scrum, só Lean Startup Salva, e coisas do tipo, a LESS foi exceção. Em cada roda de discussão que você entrava, era perceptível que ninguém queria ficar “degladiando” em volta de processos, mantras, e afins. Salvo raras exceções, tudo foi em volta de aprendizado e todos abertos a ouvir opiniões diferentes de suas “crenças”.

NOTA: Eu não participei de nenhuma roda de discussão onde o David Anderson estava presente…e, veja, o Ken Schwaber não estava lá. Eric Ries também não. Rs…

Organização

A organização do evento foi fantástica e totalmente community-driven. As instalações e localização do Clarion Hotel eram perfeitas e tudo funcionou muito bem – ou praticamente tudo,  já que como em quase todos eventos a internet foi sofrível.

Keynotes

Gostei muito do Keynote de abertura do Bjarte Bogsnes. Beyond Budgeting é um tema que me chama a atenção já há alguns anos e, por mais que eu já tenha feito o curso “Implementing Beyond Budgeting” com ele, a palestra apresentou insights interessantes e práticos, como os exemplos de Ambition to Action. Também gostei de ouvir as idéias de James Sutton em volta do tema Complexidade Organizacional e Lean. Simples, leve, mas que foi ótima para reforçar alguns conceitos de ligação disto com o mundo organizacional.

Infelizmente não posso falar o mesmo dos keynotes do segundo dia. Peter Middleton fez bastante confusão com alguns conceitos de Agile e Lean e, por mais que tenha contado histórias interessantes da evolução de Lean na BBC, deixou a platéia insegura quanto às reais razões para algumas aplicações e “mudanças” de Agile para Lean. Já Steve Denning, no keynote de fechamento do evento, fez o esperado: aquela apresentação onde todos damos risadas de piadas sobre nós mesmos ou de nossas organizações ou de outras organizações. Os conceitos que Denning apresenta são bem legais, mas, ao fim de sua palestra fiquei com a mesma sensação de quando terminei de ler seu livro “Radical Leadership”: muita história contada de forma inspiradora, mas que não nos ajuda muito e de forma pragmática a mudar a gestão nas organizações. Não muito diferente de você ler um livro com a história da Apple ou do Steve Jobs; ou da Google; ou da Amazon; ou <coloque aqui o nome de uma empresa que HOJE seja admirada pelo marcado>. Algo muito proveitoso que tirei deste keynote foi a colocação de Denning de que muitas empresas “optarão” por morrer ao invés de encarar de verdade a mudança. Forte mas real.

Trilha Transforming Organizations

Nesta trilha participei das palestras do Ari Tikka (Organizational Allienation) e do Francisco Trindade (Subject to Change). Ambas geraram bons insights para lidar com situações que esbarram na estrutura e cultura organizacional. O Frank citou a conhecida democracia da brasileira Semco e da indiana HCL para construir alguns bons conceitos para um processo de mudança organizacional, fugindo dos famosos “programas de mudança” com cartazes na parede, etc.

Trilha Complexity and System Thinking

Aqui assiti ao Jurgen Appelo falando de uma forma extremamente direta sobre a complexidade por trás das teorias relacionadas a sistemas complexos e pensamento sistêmico (complexo complicado, não?)…o conteúdo foi extraordinário, pena que para pouco tempo de palestra. Logo em seguida Karl Scotland falou da ciência por trás do Kanban, relacionando algumas teorias à forma de trabalho das organizações e de como o Kanban se encaixa ali…gostei bastante desta palestra.

Trilha Beyond Budgeting

Não tenho como negar que era a trilha que eu mais esperava e, felizmente, não sai decepcionado. Peter Bunce foi magnífico com “The Leaders’s Dilemma” abordando diversos exemplos negativos relacionados ao alinhamento de incentivos às metas. Bunce foi também crítico ao mostrar práticas mentirosas de Forecasting e de suas consequências nas organizações.

Na sequência Kajsen Hannson falou de como Beyond Budgeting é praticado no Handelsbanken, um dos bancos mais estáveis da União Européia e o mais rentável da Escandinávia. A organização do banco por branches que possuem total autonomia na gestão e no relacionamento com os clientes foi um dos maiores exemplos de empowerment que já ouvi falar. E veja, não estamos falando de empresa de mídia, mas sim de um banco.

Brian Hawkes (Driver-based forecasting and Dynamic Growth Management) fez uma palestra mostrando alternativas para o processo de forecasting em organizações. Usou exemplos de forecasting em vendas, com estrutura em rolling sem foco em “acertar” o que vai acontecer mas sim em “estudar” o que pode acontecer. Palestra bastante avançada para o público do evento, mas que forneceu pontos importantes a serem estudados.

Para fechar Paul Gooderham falou sobre motivação e o que realmente motiva os funcionários. Foi uma chuva de números baseada em pesquisas feitas em diversas empresas e com uma estrutura que na minha opinião soou um tanto quanto acadêmica. Foi o ponto fraco da trilha.

Workshops

O terceiro dia do evento foi reservado para diversos workshops apresentados por nomes como Jean Tabaka e Alan Shalloway. Eram temas bem interessantes, mas…a minha quarta-feira já estava reservada para uma visita que eu havia agendado bem antes de partir para o evento – ir conhecer Beyond Budgeting no Handelsbanken. A visita foi fantástica, mas os detalhes ficarão para um próximo post.

Mais informações

Segundo a organização do evento os slides das palestras estarão disponíveis no site da LESS 2011 ainda esta semana. Além disso, você ponde encontrar um excelente materil no Twitter procurando pela hashtag #LESS2011

Conclusão

Aprendi bastante nas palestras, nas conversas de corredor, nos almoços e na visita ao Handelsbanken. O LESS com certeza já é um evento reservado para o meu calendário de 2012.

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