Learning 3.0 na CHINA

Learning Shot em Shanghay

Learning Shot em Shanghay

Isso mesmo, você não leu errado, apresentei o Learning 3.0 em Xangai na China!

Nesse post vou descrever como foi a experiência de apresentar o Learning 3.0 em dois eventos da Scrum Alliance no mês de setembro de 2015!

PS.: Making Ideas Happen do outro lado do mundo. A Adaptworks era a única empresa da América do Sul a marcar presença no evento :)

 

Global Scrum Gathering em Xangai

Em abril de 2015 submeti de maneira despretensiosa duas palestras para o Global Scrum Gathering em Xangai. E ao final a palestra de Learning 3.0 foi aprovada para o evento.

Depois dessa feliz notícia, veio o choque: Preciso me preparar para apresentar em Inglês!

Corri atrás de aulas de inglês durante esse período, afinal é muito importante manter um canal claro de comunicação em palestras deste tipo.

Ao chegar o grande dia da apresentação se algo pode dar errado, vai dar errado: meu computador resolve parar de funcionar duas horas antes da apresentação! E para deixar a situação ainda pior, ao tentar acessar meus backups online percebo que o Slideshare, o Dropbox e o Gmail não funcionam na China.

Corri atrás de um computador e decidi que na pior das hipóteses usaria o flipchart.

Quando faltavam dez minutos para apresentar, lembrei que no meu pen drive do BatMinion havia uma versão antiga da apresentação! Ufa, salvo na prorrogação.

Na apresentação facilitei o Learning Shot de três grupos ao mesmo tempo e com temas distintos.

O processo de escolha do tema foi: forneci 5 temas distintos e pedi para que os participantes chegassem a um consenso sobre qual problema gostariam de discutir, desta forma o problema poderia ser de um ou mais Askers. Pedi para os Askers descreverem os sintomas/problemas e depois descreverem o resultado esperado. Os Sharers e os Askers foram instruídos a colocar ao menos um post-it em Storys e depois deveriam explicar por meio de uma história o seu significado, o mesmo foi feito para Ideas. Finalmente os Askers deveriam selecionar ao menos um “To Try”.

O interessante foi que todos os grupos tiveram problemas em alguma parte do Learning Shot e precisaram de um facilitador. Os grupos tiveram dificuldades para falar dos problemas e dos sintomas, propor soluções, ou para utilizar o History Telling.

Não foi a minha melhor apresentação afinal senti muito o idioma e a Jet Lag, todavia pela expressão não verbal e pelo formulário de avaliação percebi que a sessão foi excelente em um dos grupos, boa no outro, e média no último grupo. Os temas escolhidos e o resultado final do Learning Canvas são mostrados nas fotografias abaixo.

Como fazer meu time trabalhar de forma efetiva sem mim?

Como fazer meu time trabalhar de forma efetiva sem mim?

Como criar um ambiente de aprendizado emergente?

Como criar um ambiente de aprendizado emergente?

Como fazer meu time se auto-organizar no ambiente de trabalho?

Como fazer meu time se auto-organizar no ambiente de trabalho?

Scrum Coach Retreat na China

Depois de ter comprado minha passagem para a China descobri que ia ocorrer o Scrum Coach Retreat na China um dia depois do Global Scrum Gathering exatamente no mesmo hotel. Ainda no Brasil decidi ir neste evento!

O Scrum Coach Retreat é um evento pequeno e que tem como visão criar um ambiente que propicie crescimento e aprendizado a todos os participantes. E que de certa forma permita refletir profundamente, colaborar e ganhar uma nova perspectiva do problema que lhe acomete.

PROFUNDO e, sem saber, Learning 3.0;)

Os facilitadores do evento utilizam uma técnica Learning 2.0, “Training From the Back of the Room!” da Sharon Bowman, que ao ser executada dentro do contexto do evento o torna Learning 3.0.

No início, os participantes escolhem os temas que querem discutir e se agrupam em um tema especifico. Com os grupos formados, executam quatro interações de duas horas e meia com a única obrigação de apresentar o que foi discutido para os outros grupos ao final de cada interação e alimentar um website.

Propus discutir como “Como melhorar o aprendizado dos profissionais do conhecimento”, mas acabei achando mais interessante ir para o grupo ZBox que iria discutir dinâmicas. Houve um momento de Warm UP, montagem de Product backlog com temas de interesse, e escolhermos o Product Owner e o Scrum Master do meu time. Por algum motivo cabalístico eu fui escolhido o Scrum Master do meu time.

Executamos uma Sprint para falar de games para Warm Up, uma segunda para falar de dinâmicas dentro de treinamentos, uma terceira sprint para dinâmicas de retrospectiva e na última resolvi inovar todo processo com um Learning Shot!

A ideia que tive foi aplicar um Learning Shot com o tema “Como fazer team build e melhorar a comunicação de um time utilizando dinâmicas?”

Utilizei uma estrutura que gosto muito em Learning Shots: “Warm Up”,“Open Mind”, “Learning 3.0 e Learning Shot”, e aplicar o Learning Canvas.

Pulei o “Warm Up” porque já havíamos feito na primeira Sprint. O “Open Mind ” foi para que todos desenhassem as últimas 3 sprints. Expliquei o que é “Learning 3.0 e Learning Shot” usando dois flipcharts.

O Learning Canvas foi aplicado da seguinte maneira: pedi para que cada dupla escrevesse sintomas/problemas relacionados ao tema; escolhemos um resultado esperado para Team Build e um para Comunicação. No Storys e Ideas coloquei como restrição o fato de só poderem ser relatadas dinâmicas. E finalmente pedi para que cada dupla escolher um item para o “To Try”. O Learning Canvas final é mostrado na fotografia abaixo.

Como fazer team build e melhorar a comunicação de um time utilizando dinâmicas?

Como fazer team build e melhorar a comunicação de um time utilizando dinâmicas?

Tive três dificuldades neste Learning Shot: Subgrupo linguístico dentro do meu grupo. Não peguei o aceite do time para mudar de forma drástica a condução da estrutura de uma Sprint no início; Facilitadores experientes não gostam de ser facilitados e adoram palpitar na condução de uma facilitação.

O primeiro eu resolvi focando na linguagem corporal do meu time e os dois últimos eu resolvi com uma clarificação de mais 20 minutos do que estávamos fazendo.

O ponto alto deste Learning Shot foi ver o aprendizado fluir! Pois alguns membros do meu grupo nunca haviam ouvido falar do Manamengent 3.0, e quando sugeri aplicar as dinâmicas propostas no “Management 3.0 Workout” ficaram maravilhados. E o mais incrível veio depois, no OpenSpace houve a discussão do tema entre várias pessoas­.

Grupo de estudo do Management 3.0 após o Learning Shot

Grupo de estudo do Management 3.0 após o Learning Shot

TAKE AWAYS

-> Adorei Xangai desta vez, muito por causa das pessoas maravilhosas que conheci.

->Depois de um openspace energizante da Maria Matarelli estou procurando uma organização não governamental para fazer um Learning Shot.

-> É possível facilitar um Learning Shot sem entender toda a comunicação verbal e não verbal dos participantes. Em outras palavras, é possível facilitar um Learning Shot mesmo que você não entenda o idioma deles. LoL

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“O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo?”

Se você já teve, tem ou terá uma empresa, uma das infortunas preocupações é conseguir responder a pergunta: O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo? Responder a essa pergunta não diz respeito apenas a técnicas contábeis, financeiras e fiscais. Essa reposta passa por uma profunda relação de causas e efeitos interdependes dentro de toda a organização. Então como podemos ver, essa é uma pergunta complexa. Infelizmente a resposta para perguntas complexas não necessariamente são soluções simples, na verdade, muito pelo contrário, perguntas complexas, por muitas vezes, exigem respostas igualmente complexas. Sad but true.

É importante destacar que a complexidade aqui nesse cenário ganha o significado que é quase impossível prever que uma única ação resolverá de maneira matadora ou, prevenirá com eficiência um determinado problema.

Mas se o cenário é tão complexo, como então responder essa pergunta? O nosso senso comum nos diz que deveríamos procurar o MBA mais conceituado do mercado ou então fazer o treinamento mais TOP ou ainda, contratar uma consultoria altamente especializada para nos prescrever uma brilhante solução para a nosso problema.

Cuidado com o estoque de memória

Na verdade, não há nada de errado em buscar soluções prescritivas. O grande cuidado que precisamos ter é que em problemas complexos, não temos como prever com exatidão a relação de causa e efeito.

Para Edgar Morin, “A complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico. Mas então a complexidade se apresenta com os traços inquietantes do emaranhado, do inextricável, da desordem, da ambiguidade, da incerteza…”.

Ou seja, complexidade é sinônimo de surpresas. Então, qualquer coisa que façamos para prever a relação de causa e efeito é, na verdade, uma grande especulação. Não é errado especular, mais precisamos reconhecer que em toda a especulação, podemos acertar ou podemos errar.

Tendo posto isso, começamos agora a reconhecer que muito daquilo que aprendemos durante anos à fio nas escolas, faculdades, cursos e livros, na verdade, só fez aumentar nosso estoque de memórias sobre maneiras prescritivas de tentar resolver problemas.

Mais uma vez, não há nada de errado em aumentar o seu estoque de memória. Na verdade, acredito que aumentar esse estoque, faça parte de nossa natureza humana. Só que como todo e qualquer estoque, precisamos sempre nos perguntar: Será que economicamente é saudável termos um estoque de memórias tão grande?

Produto x Processo

Conhecimentos prescritivos já não são mais suficientes para lidar com problemas complexos. Esses conhecimentos prescritivos não são suficientes principalmente quando enfrentamos questões tão complexas quanto do tema “O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo? ”. Observe que aqui, dividimos nossa odisseia em 2 grandes pontos:

  • Produto da Aprendizagem
  • E Processo de Aprendizagem.

Produto da Aprendizagem, está relacionado com o conhecimento acerca das causas e efeitos para tentar resolver ou evitar o problema. Então no tema exemplo desse texto, todo e qualquer conhecimento sobre formas de gerenciar fluxo de caixa, reduzir custos, otimizar o negócio, aumentar o faturamento são considerados produtos da aprendizagem.

Já o Processo de Aprendizagem, se aplica a forma como se é construído essas possíveis conexões entre as causas e efeitos. Ou seja, como que será buscado, conectado e colocado em práticas as ideias e experiências sobre “O que fazer quando o fluxo de caixa está negativo? ”.

Contudo, tanto com relação ao produto, quanto com relação ao processo de aprendizagem, como podemos ver na figura abaixo, é possível entender que existem pelo menos 3 versões possíveis de trilhar o caminho para a solução da questão.

Versões de Learning

Como respondemos à essa questão de um jeito 1.0?

A forma 1.0 de responder essa pergunta está baseada na ideia de “eu preciso ser ensinado a como resolver esse problema – então ensine-me! “ . Nesse cenário, o foco é no ensino e não na aprendizagem. Assim, temos um receptor passivo que espera um expert ou uma instituição decidir o produto e o processo de aprendizagem necessário para ser construir o estoque de memórias sobre o tema. É um cenário meio de 1:N (um para muitos), ou seja, existe um expert que fará o broadcast do conhecimento que possui sobre aquela situação. Normalmente, é um tipo de aprendizado mais empurrado. Em outras palavras, é em cenário onde o indivíduo não sabe muito bem se precisará daquele conhecimento, mas alguém decidiu por ele , a forma e quantidade de estoque de memória que ele vai construir sobre aquele assunto.

Como respondemos à essa questão de um jeito 2.0?

Aqui já temos um modelo meio transitório, pois há um foco maior no diálogo entre o expert e o receptor. Aqui, provavelmente o conhecimento já seja orientado ou puxado por uma problematização. Provavelmente, nesse jeito 3.0, temos a chance de não criar tanto estoque desnecessário de memórias sobre um determinado assunto. O jeito 2.0, mesmo tendo perguntas puxadas pelo próprio receptor, ainda possui uma estrutura onde a resposta continua dependendo de um expert.

Como respondemos à essa questão de um jeito 3.0?

No jeito 3.0, o produto de aprendizado não mais depende de experts.   Na verdade, o jeito 3.0, promove uma espécie de aprendizado emergente das interações entre os indivíduos que estão vivendo aquele mesmo contexto. Aqui, o foco maior é no compartilhamento, pois cada pessoa, pode ser um emissor e um receptor do conhecimento (inclusive ao mesmo tempo). O processo de aprendizagem 3.0 é baseado na ideia de criar restrições mínimas possíveis para que o aprendizado aconteça de forma emergente (puxada) e que considere múltiplos pontos de vistas sobre aquela determinada situação. A ideia de considerar múltiplos pontos de vistas está fortemente relacionada com o reconhecimento de que, em sistemas complexos, as verdades sempre são muito efêmeras, ou seja, precisam se experimentadas pois se tratam sempre de uma especulação sobre o assunto.

Empacotando tudo isso

Learning 3.0 é conjunto de conceitos e ferramenta, que através de um fluxo baseado em Problematização, Pesquisa, Conexão, Prática e Compartilhamento, fornece uma forma conceitual e pratica de conduzir um processo de aprendizagem aderente a instabilidade, dinamismo e velocidade que os contextos complexos exigem.

O conceito Learning 3.0, foi criado pelo amigo Alexandre Magno e está sendo amplamente suportado pelo trabalho em rede de HappyMelly. Nós da Adaptworks estamos juntos nesse esforço e também buscamos, na medida do possível, promover ambientes de aprendizado 3.0 dentro de nossos treinamentos.

Se você deseja aprender mais sobre o conceito, acesse http://www.learning30.co/learning-3-0/ e veja as novidades, textos e ferramentas que estão sendo criadas pelo ecossistema do Learning 3.0. Fique de olho aqui no blog da Adaptworks também, pois sempre que possível, postaremos mais novidades sobre nossas experiências práticas acerca dessa abordagem.

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