Management 3.0 em 3 perguntas

Nesse vídeo de 6:43 gravado durante o Agile Trends 2013, eu bato um breve papo com Alexsandra Sousóliver, do Agile Piauí, sobre:

  • – quais as motivações para adoção de Management 3.0,
  • – quando surgem os resultados dessa abordagem e,
  • – quais as diferenças para a gestão tradicional.

Espero que gostem e qualquer dúvida é só comentar abaixo.

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Management 3.0, Stoos

Déficit de adaptabilidade – Uma questão de ordem para as organizações

Estamos compreendendo cada vez melhor que as organizações são sistemas  complexos e imprevisíveis. Também estamos testemunhando uma dinâmica de funcionamento organizacional que estimula cada vez mais o  aumento da “feedbackabilidade” (taxa de feedback) das interações dos indivíduos que fazem parte do sistema organizacional. Com todo esse cenário dinâmico, imprevisível e  de grande necessidade de aprendizado (e desaprendizados), temos uma única certeza: Temos que desenvolver uma forte habilidade de adaptação em nossa sociedade de maneira geral.

Contudo, a necessidade de ter essa habilidade de adaptação é negligenciada ou, pouco praticada, por muitos de nós. A essa negligência ou falta de prática podemos chamar de déficit de adaptabilidade. Ter adaptabilidade pressupõe que continuamente temos a habilidade de desconstruir alguma “coisa” que já estava ordenada. E essa desconstrução acontece para que uma “coisa” nova seja ordenada.

O processo de desconstrução poderá acontecer de forma evolutiva(gradual) ou totalmente radical. Mas, independentemente da forma que essa desconstrução acontece, o déficit existe pois muitas pessoas têm extrema dificuldade em desconstruir o que já estava ordenado. Sendo assim, a negação da necessidade de desconstruir (mesmo que minimamente) é o que faz as pessoas evitarem qualquer iniciativa ou necessidade de mudar.

O X da questão é que mesmo reconhecendo a necessidade de fazer grandes ou pequenas mudanças, nós buscamos criar ambientes ordenados para nossas vidas (em várias dimensões). Por isso, entramos numa espécie de impasse onde precisamos de facilidade para mudar, mas criamos todos os instrumentos necessários para resistir àquela mudança. E isso é potencializado pelo fato de que para manter a ordem  nós evitamos, ou diminuímos, as mudanças que temos que fazer em nossas vidas/contextos. E isso aumenta ainda mais o déficit de adaptabilidade.

Mas qual seria o real problema em buscar ambientes ordenados?

A maior dificuldade em mudar não é exatamente o “medo do novo” ou, simplesmente ter que sair de uma determinada “zona de conforto”. A maior dificuldade em mudar é ter que “abrir mão do antigo”. Nosso comportamento é regido pelos nossos pensamentos. Logo, o “antigo” em questão é qualquer pensamento com o qual já estávamos habituados e que foi gerado e sustentado por uma série de ordenações de diferentes percepções do mundo em nossa volta.

Na prática, a facilidade que o nosso cérebro tem para ordenar ou para buscar ordem nas coisas, foi um recurso vital para a evolução e sobrevivência de nossa espécie. Portanto, buscar ambientes ordenados é algo muitas vezes involuntário e inerente à própria natureza humana.

A origem da busca pela ordem

Essa questão pode ser mais complexa do que pressupõe nosso pobre pensamento ordenado.  Na prática, é possível que essa nossa característica seja influência de algumas questões sociais e até econômicas que nosso mundo passou.

Um exemplo disso está em nosso dia-a-dia familiar e social. Pois de maneira geral, nossa visão de sucesso é ter certa estabilidade (ou ordem) em questões profissionais, sociais, econômicas, profissionais e familiares.

Aqui abro um parênteses para compartilhar um caso pessoal. Em minha vida já passei por diferentes tipos de mudanças. Esses ciclos algumas vezes foram curtos e algumas vezes foram bastante longos.  Algumas pessoas que me conhecem mais de perto, sabem que já passei um tempo de minha vida onde, por razões profissionais, eu migrava de cidade numa velocidade relativamente alta. Para isso acontecer, eu precisava ter um estrutura “patrimonial” extremamente leve. Além dessa estrutura “patrimonial” leve, era necessário ter uma dinâmica social de conexão com as pessoas/lugares também leve.  Com todos esses elementos, era possível realmente abrir mão do “antigo” e, partir tranquilamente para o novo.

Só que nos últimos anos, juntamente com minha família, busquei criar um ambiente ordenado. Tentei trabalhar por muito tempo numa mesma empresa, investi numa estrutura “patrimonial” e social sólida. E como era de se esperar, o resultado de toda essa ordenação foi um forte sentimento de apego a tudo isso.  O sentimento de apego em si não representa grande problema. O problema começa a aparecer quando o apego ao antigo se choca com a necessidade de ir para algo novo.  E nesse aspecto, estou passando novamente por uma eminente mudança de cidade. Logo, estou sentido na pele a “dor” gerada por ter que abrir mão de muitas dessas coisas que estavam devidamente ordenadas em minha vida e de meus familiares.

Esse caso pessoal serve para ilustrar exatamente como se constrói todo o sentimento de apego ao antigo.  O mais intrigante é ver que essa é uma tendência natural. Mais intrigante ainda é ver que é exatamente com o pensamento de construir algo ordenado que nós construímos nossas carreiras e nossas vidas.  Para algumas pessoas, a ordem é representada por uma rotina bem clara, para outros pode ser conviver com  as mesmas pessoas e/ou frequentar o mesmos lugares.

Nós, continuamente, estamos tomando pequenas ou grandes decisões de “gerenciamento de ganhos e perdas”. Toda mudança pressupõe que vamos ganhar alguma coisa. Mas ao mesmo tempo que ganhamos algo, temos muitas das vezes ter que abrir mão (perder) algo. As mudanças de sucesso são aquelas onde conseguimos fazer um trabalho eficaz  de tratamento das perdas que vão acontecer invariavelmente em todo o processo.

Tá, mas em que isso impacta as organizações?

Com base no tópico anterior, qualquer processo de mudança falha quando as pessoas ou as organizações não conseguem identificar ou tratar as perdas existentes durante o caminho. O pior de tudo é que, como estamos em ambientes complexos, identificar essa relação de ganhos e perdas nem sempre é fácil. Dessa forma, a nossa habilidade de adaptação é bastante prejudicada pela pobre compreensão das perdas necessárias à mudança.

Já estamos carecas de saber (principalmente eu) que “mudar é a única certeza que temos”.  E muitas organizações já estão sentido na pele esse déficit de adaptabilidade que seus membros possuem.  E o que é pior que essas pessoas tentam fazer  nas organizações exatamente o que todos nós tentamos fazer em nossas vidas: buscar criar um ambiente ordenado. Mas muito pior do que buscar esse ambiente ordenado, é que nós nutrimos e  fortificamos cada vez mais essa ordem. Daí, de maneira coletiva, as organizações ignoram ou tentar evitar mudanças que perturbem essa sensação de ordem ou lhes façam abrir mão (perder) de alguma coisa relacionada a ela.

Talvez a ordem para uma organização seja um processo bem definido, talvez seja ter papéis e responsabilidade bem definidos ou talvez seja ter previsibilidade e controle sobre seus gastos. O importante na verdade é entender qual a ordem que tentamos manter. Só que para uma organização, manter a ordem a qualquer custo, pode ser algo perigoso. Dessa forma, a busca por criar ou manter a ordem pode cegar a organização das oportunidades/necessidades de melhorar o seu ecossistema.

Putz, ferrou então! Como podemos sair desse círculo vicioso?

Com todo o raciocínio desenvolvido até aqui, podemos concluir então que para quebrar esse círculo vicioso e eliminar o déficit de adaptabilidade é necessário:

  1. Ter ciclos curtos de mudanças?
  2. Não se apegar em nada e assumir que tudo é efêmero?
  3. Ter uma dinâmica leve, enxuta e indefinida das interações entre as partes de uma organização?
  4. Entender ou assumir as perdas necessárias ao processo de mudança?
  5. Não buscar tanto pela ordem?
  6. Ou melhor… deixar as coisas no estado natural de desordem?

Talvez sim! Talvez esse seja realmente o caminho. Contudo, observem a dificuldade (ou até mesmo a inviabilidade) em se colocar em prática esses pensamentos. Pois como eu já falei, a ordem foi um importante recurso para o desenvolvimento/crescimento da humanidade. E para as organizações, também não é diferente. Na prática, a ordem não é totalmente ruim,  na verdade a ordem fornece um sentimento de agradável conforto. E como nos apegamos a tudo que nos é agradável, isso gera a famosa sensação de “zona de conforto”.

Obviamente, a solução não é tão simples (ou ordenada) como gostaríamos, mas se fosse possível colocar em prática apenas uma ideia para criar uma maior facilidade em mudar, ela seria a seguinte: torne-se um Complexity Thinker!

Ser um Complexity Thinker é bastante estimulado no conceito de Management 3.0  (http://blog.adaptworks.com.br/2011/09/05/voce-sabe-o-que-e-gestao-3-0). Por meio do pensamento sobre a complexidade será possível entender que as interações entre as “coisas” são incertas, que a ordem talvez seja uma ilusão ou seja algo muito passageiro em muitos contextos. É também esse pensamento que entenderemos que não conseguimos prever o efeito (ou a causa) de nossas ações e comportamentos em nossas vidas ou de nossas organizações.

Quando começarmos a compreender e aceitar essas características, talvez possamos ter uma verdadeira aceitação às mudanças necessárias no ambiente complexo em que vivemos. Na verdade, quando começarmos a assumir a complexidade e dinamismo das coisas, teremos menos apego às efêmeras sensações de ordem que temos em nossas vidas. Dessa forma, teremos um alto nível de adaptabilidade às mudanças que já estão acontecendo em nossas vidas, nossas organizações e em nosso mundo.

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Coaching, Management 3.0, Mudança organizacional, Stoos

Stoos Connect! – Live Stream em São Paulo

No dia 25 de janeiro de 2013 a nossa querida cidade de São Paulo comemora 459 anos. Enquanto isso, em Amsterdam estará ocorrendo mais uma encontro do talvez mais importante movimento de gestão da atualidade, o Stoos. Depois da reunião de criação da Stoos Network em janeiro de 2012, e do Stoos Stampede em junho, agora é a hora do Stoos Connect!

O Stoos Connect! já conta com uma agenda riquíssima, incluindo nomes bem conhecidos do público brasileiro, como Jurgen Appelo, autor do livro e treinamento Management 3.0, e Niels Pflaeging, autor do livro “Liderando com Metas Flexíveis” e um dos responsáveis pelo treinamento de Beyond Budgeting da AdaptWorks.

Uma ótima novidade do Stoos Connect! é que o encontro será transmitido ao vivo para diversas cidades do mundo, e São Paulo – no dia do seu aniversário – não poderia ficar de fora desta lista, certo?

A AdaptWorks portanto irá sediar a transmissão do evento em São Paulo. Além da transmissão, que ocorrerá das 10 às 17 hs (horário de Brasília), haverá na sequência um descontraído happy-hour para quem quiser continuar a conversa e compartilhar suas conclusões. Será um dia bastante rico e divertido, que provavelmente marcará também o “ponta-pé” inicial das ações do Stoos Satellite São Paulo.

Resumindo

Dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, haverá uma extensa programação de eventos pela cidade. Um deles ocorrerá aqui na AdaptWorks, a transmissão ao vivo – direto de Amsterdam – do Stoos Connect!. Haverá muito conteúdo, discussões, descontração e happy hour. Há apenas 40 lugares disponíveis, e você deve reservar o seu lugar o quanto antes no link Stoos Connect Live Stream em São Paulo. É de graça, mas só reserve seu lugar se você realmente está decido a vir. Nos vemos lá!

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Agile, Beyond Budgeting, Eventos, Management 3.0, Stoos

Venha para a BetaCodex Network!

Em 2008 Niels Pflaeging e Valérya Carvalho, que são responsáveis pelo treinamento Beyond Budgeting: Organizar para a Complexidade da AdaptWorks, decidiram dar um caminho mais pragmático para o movimento do Beyond Budgeting. Algo que fosse mais aberto para a participação da comunidade e que apresentasse de uma forma mais clara ao mercado o que é ser uma “organização Beta”, surgiu então a BetaCodex Network.

Na rede você encontra riquíssimo material de temas relacionados à transformação organizacional, que vão desde artigos e vídeos até a discussão aberta em um fórum. O material é tão rico que o grande desafio é ‘sair da rede’ uma vez logado, já que é natural entrar numa jornada contínua de leitura.

Portanto deixo aqui meu convite:  junte-se a nós e participe da BetaCodex Nextwork.

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Beyond Budgeting, Mudança organizacional, Stoos

Preparativos para o Stoos Stampede de Amsterdam

Stampede at Amsterdam

Na primeira semana de julho estarei em Amsterdam para o Stoos Stampede, evento organizado por membros da Stoos Network. Este será um evento bastante diferente dos tradicionais, já que não haverá uma grade pré-fixada de “palestras” e nem um super hotel 5 estrelas com várias salas reservadas para as sessões. Haverá, na verdade, uma única base, e todas as discussões se darão em cafés e bares espalhados pelo centro da cidade. Portanto, será uma real debandada!

O evento reunirá pessoas que, de um jeito ou de outro, atuam como agentes de mudança em busca de novas atitudes para a gestão. Até o momento, muitos assuntos interessantes foram propostos para discussão, tópicos que vão desde o uso de grupos satélites do Stoos para motivar gestores a mudarem o mindset, até a proposta de um modelo organizacional guiado pela evolução (?!).

Mas o que é Stoos Network?

O nome Stoos refere-se a um vilarejo localizada na Suiça no qual, no início de 2012, reuniram-se um grupo de profissionais preocupados com a bagunça na qual organizações e seus gestores vem se nos metendo, ao tentar manter métodos e estilos de gestão completamente inadequados para um mercado extremamente complexo e tomado pelos profissionais do conhecimento.

Cientes de que ninguém possui “a resposta” para fazer com que as organizações abram os olhos para estas ameaças, decidiu-se então – durante o evento – criar uma rede (Stoos Network) para dar prosseguimento às discussões, mas agora envolvendo uma quantidade de profissionais muito maior, espalhadas pelas redes e continentes.

E além do Stampede em Amsterdam, haverão outros eventos?

Sim, na verdade o movimento está apenas começando. Grupos satélites estão sendo criados ao redor do mundo e alguns, como o de Zurique, já realizaram encontros periódicos envolvendo profissionais do mundo organizacional. Dei o ponta-pé inicial para o Stoos Satellite daqui de São Paulo e, no retorno do Stampede de Amsterdam, espero estar cheio de idéias para compartilhar com o grupo e darmos os primeiros passos com reuniões periódicas e outras ações.

Além das ações dos satélites, já há movimentos para organizar eventos maiores, como o Stampede, em regiões dos Estados Unidos e outros centros.

Como fazer parte?

Todos são bem vindos na Stoos Network e, obviamente, se você é de São Paulo ou região, não deixe de entrar no nosso satélite para ajudar-nos com os primeiros passos. É bem simples, inscreva-se no grupo Stoos Network no Linkedin e, após estar dentro, inscreva-se no sub-grupo Stoos Satellite Sao Paulo.

Algum pré-requisito?

Não ser apenas um ouvinte, mas sim participar de verdade das discussões, trazendo propostas e compartilhando experiências.

Por que vou para o Stampede em Amsterdam?

Na mesma linha do que o Jurgen Appelo propôs no post “What’s Your Reason to Join the Stampede?”, na próxima semana compartilharei  aqui no blog da AdaptWorks as minhas motivações intrínsecas para ir ao evento de Amsterdam – além das óbvias: passear pela cidade e ter uma Heineken Experience, lógico. 😉

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