No dia-a-dia das organizações existe o eterno conflito entre gerar novas funcionalidades ou melhorar a parte técnica da solução e isso, tem muito mais a ver com a alocação de capacidade do que se imagina.

Muitas vezes os stakeholders não conseguem visualizar – ou simplesmente menosprezam – a importância de manter a arquitetura atualizada.

Vejamos como o SAFe lida com isso!

Precisamos entender que na verdade estes dois pontos não são conflitantes, mas sim complementares, pois, para respondermos as mudanças do mercado no ritmo em que elas acontecem, não podemos deixar de lado a parte técnica, já que a tecnologia evolui no mesmo ritmo alucinante que as necessidades de nossos clientes. 

Antes de entrarmos na alocação de capacidade propriamente dita, vamos entender dois importantes conceitos:

Program Backlog 

O Program Backlog é o repositório de todos os trabalhos futuros que afetam a solução. É responsabilidade do Product Management desenvolver, manter e priorizar os itens. 

Um desafio que todo ART (Agile Release Train) enfrenta é como equilibrar a implantação de novas funcionalidades com a necessidade de investimento na solução técnica e no ambiente em que ela está inserida. 

Neste contexto o papel do System Architect se torna essencial, já que ele trabalha junto com o Product Management para criar e manter dentro do Product Backlog os itens técnicos que devem ser desenvolvidos para manter ou criar uma solução técnica robusta que permita o atendimento das metas de negócio a curto e longo prazo. 

Backlog

Architectural Runway 

No SAFe existe o conceito da Architectural Runway que fornece a base técnica necessária para o desenvolvimento de novas funcionalidades de negócio e é a principal ferramenta do framework para implementação da estratégia de arquitetura ágil.

Uma vez que as novas funcionalidades consomem a Architectural Runway, manter investimentos na sua evolução através da implementação de itens técnicos permitirá a entrega contínua de novos recursos da solução. 

Caso este ponto não seja tratado com a devida importância, a estrutura técnica impedirá a implementação de uma nova funcionalidade de forma efetiva no futuro. 

A Architectural Runway também possibilita um investimento na melhoria do Continuous Delivery Pipeline, que habilita a capacidade do Release On Demand.

Os times do ART devem criar uma solução de arquitetura evolutiva que permita implementações e releases mais constantes e eficazes, criando um ambiente em que as melhorias consigam chegar até os usuários finais de forma mais tranquila e efetiva. 

Alocação de Capacidade 

A melhor forma de manter esse investimento e evitar conflitos na evolução do produto é aplicar a alocação de capacidade, onde cada ART decide quanto do esforço total pode ser utilizado para cada tipo de atividade, que pode incluir também reservas específicas para redução de débitos técnicos ou sustentação. 

Alocação de Capacidade no SAFe

Vale ressaltar que embora as políticas acordadas possam ser mantidas por algum tempo, este acordo pode e deve ser revisto ao longo das PIs (Program Increment), pois esta divisão deve levar em consideração o momento da sua solução.

É natural que, ao iniciarmos um novo produto, por exemplo, o espaço reservado para a arquitetura seja maior do que quando temos um produto já consolidado. 

É obrigação do System Architect e do Product Management manter e revisar este acordo para evitar a degradação da solução técnica da solução ao mesmo tempo em que conseguem responder as necessidades de mercado e aproveitar as oportunidades que surgem. 

A manutenção e revisão desse acordo é que será o fiel da balança da alocação de capacidade que acabei de explicar.

Conclusão

Nos dias atuais é importante termos uma visão mais ampla do que é necessário para manter a solução atraente para o mercado.

Não basta olharmos apenas para novos recursos, pois a tecnologia muda muito e é importantíssimo acompanhar esta evolução.

Desta forma não teremos mais aqueles grandes projetos de revolução tecnológica que tanto impactam as empresas, e que acabam causando grandes atrasos na estratégia dos produtos. 

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Rodrigo Costa

Atuo diretamente na transição e experimentação ágil em diferentes organizações. Experiência profissional em TI em diversos segmentos, minhas principais certificações: SPC4 (SAFe Program Consultant), SAFe Agilist (SA), SSM e POPM pela Scaled Agile; ICP (Instructor Authorization) e Certified Agile Professional pela ICAgile.

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