Quando Carla Ladeia passou em um concurso público aos 21 anos de idade sua vida profissional parecia estar resolvida de uma vez por todas. Mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. A frente de grupos em uma empresa de prestação de serviços médicos e medicina diagnóstica atualmente, ele atribui suas escolhas a dois pontos fundamentais que a ajudaram a alavancar sua carreira: fé e otimismo.

E essas características ficam aparentes nos primeiros cinco minutos de conversa com a agilista. Carla é comunicativa, falante, positiva e envolvente. Ela nos ‘recebeu’ para uma entrevista on-line na sua casa, na cozinha, como um amigo de longa data para um café. A partir daí o papo foi fluído e divertido, relevando sua forma de gerir suas equipes no dia a dia de trabalho.

“Eu gosto de lidar com gente. E, hoje, o que eu fico feliz é por ser reconhecida em fazer gestão de pessoas porque é algo que eu faço com muito amor. Como consequência disso eu tenho um time que sabe que está em um ambiente seguro para errar e experimentar. Minhas equipes são sempre referência dentro da empresa pela maneira como conduzimos tudo. Isso é realmente gratificante”

Conta Carla

Carla gosta mesmo é de “colocar rodinha no pé do povo” – jargão criado e muito utilizado por ela, que basicamente quer dizer que ela poderá ajudar as pessoas a crescerem e se desenvolverem, ao mesmo tempo que em que evolui seus times. Uma mistura produtividade com entrega de valor dentro de produtos que tem dado certo há vários anos.

COMO TUDO COMEÇOU

Quando perguntada se Carla se imaginaria na função que exerce hoje ela é enfática: “não!”. Na adolescência, ela diz, pensou que fosse trabalhar com alguma coisa voltada ao esporte. Mas, antes mesmo de formar na escola, já trabalhava na área de negócio de um banco e, por isso, acabou prestando um concurso público aos 18 anos e passou.

“Mas eu nem cheguei a tomar posse. Fui fazer Administração de Empresas e, nessa época, um amigo que trabalha com TI disse que havia uma vaga para trabalhar com indicadores. Eu fui fazer a entrevista e me colocaram em um data center. Eu não entendia nada! Tudo o que as pessoas falavam eu anotava para pesquisar depois o que era”

Confidencia Carla.

E deu certo: Carla ficou nessa empresa, da área de Marketplace, por dois anos e cinco meses. Atuando diretamente nos Centros de Distribuição, cuidava de gestão de incidentes, indicadores e problemas em geral que estavam ligados à produção. Foi ali que Carla começou a observar as equipes da área de projetos. “Eu pensava: esse pessoal não faz nada. Não é possível!”, divertiu-se.

Exatamente por isso ela começou a estudar facilitação. Observar como os processos eram feitos, conversar, resolver problemas e lidar com pessoas. Diferentemente da Carla do início da carreira, uma jovem tímida e insegura, o domínio e confiança no seu trabalho logo fizeram com que ela se destacasse em sua função.

Para alçar voos maiores, Carla aceitou a oportunidade de ir para uma nova empresa. E aí que mora a ironia: para assumir time na área de projetos. “Eu pensei: meu Deus, vou para a área do pessoal ‘que não faz nada’”. Ledo engano. “Estudei, me dediquei, me baseei em pessoas que tenho como referencia, treinei e assumi um time de nove pessoas”.

Essa nova ‘aventura’ durou cerca de oito anos. Carla atuava como coordenadora de QA, desenvolvendo software utilizando o método cascata, e em alguns momentos desempenhando o papel interino de Gerente de Projetos, na ausência ou férias desses profissionais.

O relacionamento com a agilidade

“No meu último ano nessa empresa, tive a oportunidade de vivenciar toda a transformação digital, um assessment em parceria com a Adapworks. Foi nesse momento que veio a provocação inicial e o tão assustador ‘sair da zona de conforto’, já que eu estava muito bem estabelecida na minha função. Foi uma fase intensa e muito provocativa, e também o start para meus olhos brilharem pela agilidade”, conta.

Durante todo o período do assessment e acompanhamento, Carla foi se se identificando com as boas práticas do método, as iterações e oportunidades de aprender com o erro, da importância do feedback visando sempre uma melhoria contínua com o time e a proposta de um ambiente seguro para as pessoas trabalharem. Tudo isso aliado à sua facilidade e paixão por pessoas foi fazendo com que o contexto da agilidade tivesse ainda mais sentido.

Seu envolvimento e despertar para aprender mais sobre agilidade destacaram Carla em meio ao grupo. Ao final de seu curso de Agile Team Facilitation, aqui na Adapt, seu perfil foi indicado para uma empresa na área de saúde. “Quando eu terminei o curso eu pensei que era exatamente aquilo que eu queria fazer na minha vida”. Pediram meu currículo, mas confesso que achei que não daria em nada. E não é que deu certo?!”, comemora.

Foi nesse momento que Carla migrou para o que considera um dos maiores desafios da sua carreira: uma empresa que estava começando a entrar no mundo digital. “No momento em que cheguei, o digital tinha apenas quatro meses de ‘vida’, com poucas pessoas envolvidas nele, mas todas elas muito dispostas em fazer dar certo”, explica.

Carla lembra que a boa vontade e o amor da equipe pelo trabalho fez com que as coisas fossem se formando e ganhando tração. Aos poucos as práticas e framework foram adotados e os times nascendo e sendo criados nesse contexto.

Busca por conhecimento

Seu novo momento profissional aliado com a necessidade da empresa, fez com que Carla buscasse novos conhecimentos, métodos e ferramentas. Algumas sendo essenciais para ela como as certificações em Agile Coaching Certification – ICAgile, Kanban System Design (KMP I), Kanban Systems Improvement (KMP II) e Agility in the enterprise – todas aqui na Adaptworks. Mas não é só isso. Desde a sua graduação em ADM até aqui, ela também acumula MBA Gestão de Projetos e em Gestão de Projetos e Processos Organizacionais, além de outras práticas e especializações que conquistou seja por participação em eventos ou em consultorias.

CONHECIMENTO APLICADO

Os conhecimentos adquiridos logo foram colocados em prática, a começar organizando meetup. Ela também utiliza o Management 3.0 e adequa a aplicabilidade de cada ferramenta às necessidades de cada time e de acordo com o tema: kudocard, matriz de competência, health check, entre outras para feedback. Ela também utiliza a gamificação para se apoiar quando precisa reciclar o time sobre agilidade e sua importância.

“Passados quase três anos dentro da empresa onde me encontro atualmente, atuo como agilista em dois squads de alta performance que rodam Scrum sem a necessidade de um agilista tão presente no dia a dia, e dando apoio e suporte para outras squads e agilistas, com forte parceria dos PM do grupo”, conta.

Na empresa, Carla também é responsável por provocar e criar o programa de Mentoria dentro do Digital que visa desenvolver pessoas. Ela também faz parte de uma squad de clima, uma iniciativa do RH onde o foco é a gestão e o reconhecimento de pessoas, que olha a organização como um todo.

Questionada sobre seu maior desafio profissional, ela admitir ser na empresa em que está à época em que assumiu. “Dentro de uma empresa tradicional, com mais de 90 anos de mercado e um legado forte dentro da TI. Àquela época eu tive muito apoio e direcionamento do instrutor do primeiro treinamento da Adapt. Perguntava o que tinha dúvida e ele sempre me orientou”, diz.

PANDEMIA

O segundo momento marcante, foi de se reinventar com o Home Office e, em paralelo, ao desafio de ajudar as pessoas em um momento difícil que todo mundo estava passando ao mesmo tempo em função da Covid-19. Como se organizar, fazer da caixinha de práticas e ferramentas se tornar virtual, e acima de tudo, provocar e engajar o time, ajudar a ser produtivo e manter a saúde mental. Apoiar os times na gestão do próprio tempo e a gestão de pessoas foi muito forte. O treinamento de agile coach foi a base para me apoiar e provocar nesse período”, desabafa

reaLIZAÇÃO

Se o contexto da pandemia precisou fazer com que Carla se reinventasse, tal provação também serviu para que ela colocasse em prática uma das funções que mais gosta: gerir pessoas. “O ponto alto da minha carreira é exatamente o que vivo, ser referência em cuidar das pessoas e ajudar o time dar tração para entrega de valor. E, receber feedbacks sobre a importância e fazer diferença na vida deles, é gratificante demais”, confessa. “Eu sou muito ativa. Faço muitas coisas tanto no profissional como no pessoal. Eu prego muito sobre saúde mental, então eu falo para as pessoas que elas precisam desligar do trabalho, desconectar do excesso de funções, aproveitar suas vidas e suas famílias. Eu acredito muito que uma pessoa feliz em casa traz isso para o trabalho e ao contrário também. Então eu sou a primeira a cobrar e a demonstrar que levo uma vida que equilibra as duas coisas de maneira saudável e feliz”, finaliza

Adaptworks

@Adaptworks

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