Considerado o coração do SAFe, ART (Agile Release Train) pode ter uma definição simples como: “time de times”, mas há muitos outros detalhes que vão muito além desta simples definição.

O que é ART (Agile Release Train)

É um time de times ágeis, que junto com outras partes interessadas, desenvolve e entrega de forma incremental, uma ou mais soluções em um Fluxo de Valor (Value Stream).

Value Stream ou Fluxo de Valor: Os fluxos de valor representam uma série de etapas que uma organização usa para implementar soluções que fornecem um fluxo contínuo de valor para um cliente.

Um ART (Agile Release Train), alinha times a uma missão de negócios e tecnológica comum.

Cada ART é uma organização virtual (geralmente de 50 a 125 pessoas) que planeja, se compromete, desenvolve e entrega todos juntos.

São organizados em torno dos Value Streams (fluxos de valor) significativos para a empresa e existem apenas para cumprir a promessa desse valor, criando soluções que proporcionam benefícios ao usuário final.

Os ARTs são multifuncionais e têm todos os recursos como: software; hardware; firmware e outros, necessários para definir, implementar, testar, implantar, liberar e, quando aplicável, operar soluções.

ART ou Agile RELEASE TRAIN

Os ARTs operam com um conjunto de princípios comuns:

  • Horário fixo: O trem parte a estação em um horário conhecido e confiável, conforme determinado pela cadência da PI (Program Increment) escolhida.
  • Novo incremento a cada duas semanas: A System Demo (demonstração) fornece um mecanismo para avaliar o sistema de trabalho, que é um incremento integrado de todas as equipes.
  • Sincronização: Todas os times no trem são sincronizados com a mesma duração de PI (geralmente de 8 a 12 semanas) e têm datas e duração comuns de início/término da iteração.
  • Velocidade conhecida: Cada trem pode estimar com segurança a quantidade de carga (novas Features) que podem ser entregue em uma PI.
  • Times ágeis: Times ágeis adotam o ‘Manifesto ágil’ e os valores e princípios básicos do SAFe. Eles aplicam Scrum, Extreme Programming (XP), Kanban e outras práticas de qualidade.
  • Pessoas dedicadas: A maioria das pessoas necessárias ao ART estão dedicadas em tempo integral ao trem, independentemente de sua estrutura funcional.
  • PI Planning face a face: O ART planeja seu trabalho em eventos periódicos, em grande parte, face-a-face na PI Planning.
  • Innovation & Planning – IP (Inovação e Planejamento): As iterações de IP ocorrem no final de cada PI e fornecem uma faixa de proteção estimada (buffer), bem como tempo dedicado ao planejamento, inovação, educação continuada e trabalho de infraestrutura da PI.
  • Cadência e entrega sob demanda: ARTs aplicam cadência e sincronização para ajudar a gerenciar a variabilidade inerente à pesquisa e desenvolvimento. No entanto, a entrega normalmente é dissociada da cadência de desenvolvimento. Os ARTs podem liberar uma solução, ou elementos de uma solução, a qualquer momento, sujeitos a critérios de governança e versionamento.

Além disso, em Value Streams (fluxos de valor) maiores, vários ARTs colaboram para criar soluções maiores por meio de um Solution Train (Trem de Solução).

Solution Train ou Trem de Soluções: É o construto organizacional usado para criar soluções grandes e complexas que exigem a coordenação de vários Agile Release Trains (ARTs), bem como as contribuições dos fornecedores. Alinha os ARTs com uma missão compartilhada de negócios (Capability) e tecnologia (Enabler), usando a solução Vision, Backlog e Roadmap, e uma PI alinhados.

Como um ART (Agile Release Train) é organizado

Os ARTs são tipicamente organizações virtuais que possuem todas as pessoas necessárias para definir, fornecer e operar a solução.

Essa nova organização divide os silos funcionais tradicionais que podem existir.

Porém em muitas organizações com silos tradicionais este modelo poderá exigir um árduo trabalho de gestão, porque a tendência é que os times com características NÃO multifuncionais continuem juntos o que pode agregar atrasos e falhas de comunicação na interação com os demais silos.

Em vez disso, o ART aplica o pensamento sistêmico (Princípio SAFe # 2) e organiza-o em torno do valor (Princípio SAFe # 10) para criar uma organização multifuncional que é otimizada para facilitar o fluxo de valor desde a concepção até a implantação e entrega nas operações, conforme a figura abaixo ilustra.

Times ágeis multifuncionais

Essa organização totalmente multifuncional, física ou virtual, possui todos e tudo o que é necessário para definir, fornecer e operar soluções.

É auto-organizada e autogerenciada e isso cria uma organização muito mais enxuta.

Equipes ágeis movem o Trem

Times individuais podem escolher suas práticas ágeis, baseadas principalmente no Scrum, XP e Kanban.

Cada time ágil tem de cinco a onze colaboradores individuais dedicados, cobrindo todas as funções necessárias para criar um incremento de qualidade e de valor a cada iteração.

Podem ser focados em tecnologia, atuando com software, hardware ou focados em negócios, atuando com marketing, RH entre outros. E claro, são times multifuncionais, como mostra a figura abaixo:

Times ágeis de um ART

Funções especializadas

Cada time ágil tem colaboradores individuais dedicados, cobrindo todas as funções necessárias para criar um incremento de qualidade e de valor para uma iteração.

A maioria dos times de SAFe aplicam um ScrumXP e um híbrido Kanban, com duas funções especiais:

  • Scrum Master: É o líder servidor da equipe, facilita reuniões, promove o comportamento ágil, remove impedimentos e mantém o foco da equipe.
  • Product Ownership: É o proprietário do backlog da equipe, atua como um proxy do cliente e do time, prioriza o trabalho e colabora com o gerenciamento de produtos para planejar e entregar soluções.

Funções críticas do ART

Além dos times ágeis, as seguintes funções ajudam a garantir a execução bem-sucedida do ART (Agile Release Train):

  • Release Train Engineer (RTE): É um líder servidor que facilita a execução do programa, a remoção de impedimentos, o gerenciamento de riscos e dependências e a melhoria contínua.
  • Product Manager: É responsável por “o que é construído”, conforme definido pela vision (visão), roadmap (roteiro) e novas Features no backlog do programa. Eles trabalham com clientes e product owners para entender e comunicar suas necessidades, além de participar da validação da solução.
  • System Architect (Arquiteto/engenharia de sistema): É um indivíduo ou equipe que define a arquitetura geral de um sistema. Eles trabalham em um nível de abstração acima das equipes e componentes e definem Requisitos Não Funcionais (NFRs), principais elementos do sistema, subsistemas e interfaces.
  • Busness Owners: (proprietários do negócios): São os principais interessados ​​no ART e têm a responsabilidade final pelos resultados de negócios do trem.
  • Clientes: São os principais compradores da solução.
  • Times de sistemas: Ajudam na criação e manutenção de ambientes de desenvolvimento, integração contínua e teste.
  • Shared Services (Serviços Compartilhados): São especialistas, tais como: segurança de dados, arquitetos de informação, administradores de banco de dados (DBAs), necessários para o sucesso de um ART, mas que não podem ser dedicados a um trem específico.

Definindo um ART

Os parâmetros e limites de um ART (Agile Release Train), bem como suas partes interessadas, e as relações com os Value Streams (fluxos de valor), podem ser capturados e resumidos no ‘Canvas ART’, conforme a figura abaixo:

Agile Relase Train Canvas

Adaptworks

@Adaptworks

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